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Técnicas

Pesquisam novas formas de adubar o tomate orgânico

02/03/2012

Débora Motta, Divulgação UFRRJ, FAPERJ

Tomateiros, divulgação UFRRJ

O estado do Rio de Janeiro produz cerca de 75 milhões de quilos de tomate, de acordo com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio de Janeiro (Emater-Rio). Só no Ceasa, do Rio, a comercialização do fruto movimentou R$ 73 milhões, em 2010. Por sua vez, a demanda pelo tomate orgânico, livre de pesticidas, vem crescendo.  Considerando a importância econômica do setor e a necessidade de promover o cultivo sustentável do tomate produzido no estado do Rio de Janeiro, o engenheiro agrícola Leonardo Duarte, professor e coordenador do curso de Engenharia Agrícola e Ambiental da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), estuda uma forma ecologicamente correta de fertilização do solo. Ele investiga como reaproveitar a água utilizada na lavagem de currais, com resíduos orgânicos do gado leiteiro, para adubar adequadamente o solo para a produção de tomate orgânico.

O estudo conta com recursos do edital de Apoio às Engenharias, da FAPERJ. De acordo com o pesquisador, a irrigação dos tomateiros com a água que contém resíduos de excrementos de bovinos, melhora sensivelmente as características físicas, químicas e biológicas do solo. “O aproveitamento de águas residuais para a fertilização de culturas agrícolas, por meio da fertirrigação, possibilita o aumento da produtividade e da qualidade dos frutos colhidos, além de reduzir os custos de produção e a poluição ambiental; por ser uma forma natural de adubação, pode dispensar o uso de agroquímicos”, destaca Duarte.

Adubar com água residual na dose certa

O desafio, contudo, é encontrar a medida exata para a aplicação dessa água com rejeitos do curral. Ela não deve servir como fonte de irrigação sem orientação técnica, já que o nitrogênio proveniente da matéria orgânica do gado diluída na água, quando aplicado em excesso, pode prejudicar o solo e até causar a morte do tomateiro – depois de ser convertido em nitrato por bactérias que habitam a superfície do solo. Por isso, as metas do projeto são avaliar os efeitos da fertirrigação, com diferentes doses de água residual, no solo, e, então, observar as características fisiológicas e de produção do tomateiro.

Trocando em miúdos, o projeto estuda uma forma alternativa de aumentar a produtividade do tomate orgânico sem comprometer a qualidade do solo. “O objetivo é impulsionar a produção orgânica e dar um destino sustentável à água com rejeitos bovinos, que se torna um passivo ambiental. Muitas vezes, ela é descartada sem critério no solo ou nos rios. Isso polui o meio ambiente porque o nitrogênio presente na matéria orgânica eliminada por bovinos e dissolvida na água pode salinizar o solo e torná-lo improdutivo, além do risco de poluir o lençol freático, ou seja, contaminar águas subterrâneas”, explica.

Os testes ainda estão em curso e, por enquanto, a produtividade dos tomateiros irrigados com a água rica em matéria orgânica bovina apresenta bons resultados. “Na primeira colheita, a produção média semanal foi de 100 gramas de tomate perinha por cada pé”, diz o pesquisador. “Além da produtividade e das propriedades do solo, ainda vamos avaliar outros critérios, como a qualidade dos frutos, verificando inclusive seus nutrientes e o nível de desenvolvimento das plantas”, completa.

fonte: Faperj

 

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