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Meio Ambiente. Notícias

Resistência orgânica na Paraíba

11/01/2013

Ao mostrar o canal de interligação com a Estação de Bombeamento, o representante da Articulação do Semiárido na Paraíba (ASA-PB) Valber Matos explica que o Perímetro Irrigado das Várzeas de Sousa (Pivas) é um projeto único no Brasil, já que seu sistema de irrigação ocorre por pressão atmosférica. “Ele eleva a água daqui e vai para um sistema de captação de água lá em cima que desce por gravidade atendendo a todo o sistema de pressão nas unidades familiares instaladas, além das empresas instaladas”, afirma Matos.

No momento em que Matos detalhava este projeto do governo do estado da Paraíba com recursos federais (estimado em quase R$ 76 milhões), um carro se aproximou. Seu motorista parou e perguntou: “é reportagem?”. Diante da afirmativa, o motorista foi logo dizendo, “o que a gente não tem aqui é manutenção do projeto. No canal, as placas estão arriando. O contador de nível que tem no meio do canal tá sujo. Tem camada de lodo lá que é mais alta que um carro deste. Tem parte desse canal em que a água tá transbordando por cima do canal por causa dessa sujeira. Há uns três meses atrás houve perda de banana porque a banana não aguentou e morreu. A água é pouca”. Zequinha, como se identificou, produz banana e coco no Pivas desde 2006. Orgulha-se de sua produção de banana, que, segundo conta, pode chegar a 40 milheiros por mês. Mas desvia a conversa quando questiono se sua produção é orgânica.

Foto: Danielle Pereira

“A agricultura familiar também produz isso, e com qualidade, porque a agricultura familiar dispensa os pacotes tecnológicos, como a invasão dos agrotóxicos, dos agroquímicos, dentro dessa produção”, emenda Matos.

Na avaliação da ASA -PB os projetos de irrigação dos governos, seja do governo da Paraíba ou de outros estados, não estão preocupados com a agricultura familiar, mas com a geração de renda para exportação. “É um pensamento desastroso. É necessário entender que a visão da agricultura familiar é diferente do agronegócio. O agronegócio tá pensando no lucro. E a agricultura familiar tá pensando na segurança e na soberania alimentar das famílias envolvidas na agricultura e também no meio urbano”, defende Valber.

O vice-presidente da Apivas, Edinaldo José Nascimento, esclarece que a ideia inicial no Perímetro Irrigado era destinar a área apenas para a produção de orgânicos. “No início esse projeto tinha que ser 100% orgânico. Mas, daí, deixou-se uma brecha dentro da lei dizendo que tinha que ser ‘preferencialmente orgânico’. Então muita gente conduziu da forma mais fácil”.

Nascimento lembra que trabalhou desde cedo com agricultura convencional e defende os benefícios da mudança, “eu venho de uma família tradicional, de agricultura convencional. Meu pai nasceu e se criou trabalhando com convencional. Eu passei a pensar em orgânico de 2000 pra cá. E daí eu mudei, consegui mudar a cabeça do meu pai, dos meus irmãos e de colegas, mostrando o resultado, mostrando que você tem qualidade naquilo que faz, que aquilo que você faz tem mais valor. [o orgânico] Leva mais mão de obra, mas seu produto tem valor. E não é caro, para mim, trabalhar de forma orgânica porque, antes de tudo, eu penso na minha família, eu não vou estar contaminando a minha família.”

Fonte:  Brasil de Fato

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