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Casos de sucesso

Produção orgânica de café na Chapada Diamantina

14/01/2015

1001_ChapadaDiamantina11A Chapada cobre uma extensa área, abrangendo diversos municípios como Mucuge, Piatã, Bonito e Seabra, além do famoso Parque Nacional. Encravada no Meio Leste da Bahia, o que destaca, além de seu solo por vezes típico arenito, por outras lembrando o cerrado, é a altitude média de 1.200 a 1.300 m. Apesar da relativa proximidade com o Oceano Atlântico, cadeias de montanhas formam diversos microclimas, gerando vegetações de transição com a Caatinga, lembrada pela grande presença de mandacarus, Cerrado e Mata Atlântica.

“Um pedaço do paraíso”. Assim o agricultor familiar Florisvaldo Alcântara Jardim, 64 anos, define Abaíra, distrito de Catolés, Chapada Diamantina (BA), onde vive e trabalha no campo com a família. Ele e a esposa Selmi, 56, optaram por uma produção diversificada e orgânica. Os 50 hectares de terra abrigam banana, feijão, hortaliças, um tanque de peixes, gado de leite e café. Este último é motivo de orgulho para ele, pois a alta qualidade e o modo de produção do grão o classificam como café gourmet. 

O que propicia a sofisticação do produto é a localização geográfica, favorável para a melhoria do café em vários aspectos como o solo, o clima, a altitude e água em abundância. “Aqui chove bastante, a gente só irriga umas duas vezes por ano por gravidade”, explica referindo-se à irrigação mecânica feita quando a fonte de água fica em um nível superior ao da área de irrigação, dispensando o uso de diversos equipamentos, inclusive as bombas.

A produção de Florisvaldo e de mais 12 famílias da localidade é comercializada pela Cooperativa de Produtores Orgânicos de Biodinâmicos (CooperBIO). O café da região é exportado para estados brasileiros e países como Estados Unidos e Japão. A cada safra ele colhe, em média, 80 sacas de café, que rendem R$ 56 mil.

Florisvaldo e a família disfrutam de uma vida com mais qualidade, digna e feliz. “Vivi em São Paulo e em Salvador por mais de 10 anos com meus pais. Vendi sorvete e fui taxista. Quando comparo como vivo hoje com meu passado, acho que estou num pedaço do paraíso”, declara. Também pudera, o sítio Água Limpa fica perto do Pico do Barbado, a maior montanha da região Nordeste.

O casal de agricultores, que já acessou o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para investimento, aguarda a liberação de mais duas modalidades de crédito uma para custeio e outra para compra de um carro utilitário, pelo Mais Alimentos. “A nossa renda melhorou e estamos reformando a casa”, comemora.

Luca Allegro e Nelson Ribeiro também produzem café. Com o objetivo de produzirem segundo normas da Cafeicultura Orgânica, passaram também a adotar o sistema Biodinâmico, que leva o selo Demeter. Muita dedicação, esforço, dificuldades e barreiras, porém, hoje já se dão ao luxo de praticamente programarem sua pequena produção para os clientes já estabelecidos.

1001_Nelson_RiverfordSegundo Luca, proprietário da Fazenda Aranquan, junto ao Nelson, da Fazenda Floresta, “fundaram” uma “cooperativa de 2 produtores”, pois trabalham efetivamente de forma cooperada. Dividem tarefas, ficando as operacionais sob a batuta do Nelson, enquanto que as burocráticas e comerciais, com o Luca, este usando sua experiência como trader de fibra de sisal.

Propriedades vizinhas, num belíssimo platô em Ibicoara, estão sentindo o processo de seleção intensivo que o mercado está impondo, dentro de um quadro de forte competição global. A saída: aprimoramento dos processos, incluindo colheita seletiva com  até 4 passadas, resultando num excepcional aproveitamento dos grãos independente das diferentes floradas que acontecem normalmente na região.

Num raciocínio bastante claro, tanto Nelson quanto Luca colocam que, por mais cara que fique a colheita seletiva em tantas etapas, ainda o resultado é muito satisfatório porque grãos defeituosos são minoria. Isso é ainda mais importante porque estão distantes demais de locais que prestam serviços com sistemas de padronização por mesa densimétrica e eletrônica por cor, o que ficaria inviável. Os lotes são realmente muito bons, dando-lhes credenciais para projetos como este com a Riverford, da Inglaterra.

Para finalizar, veja uma reportagem bacana sobre os dois feita pela britânica The Guardian:

http://www.guardian.co.uk/lifeandstyle/2009/dec/06/biodynamic-coffee-in-brazil







Fonte:

– Portal do Ministério do Desenvolvimento Agrário

– The Coffee Traveler by Ensei Neto

 

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