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Mercado

Cresce demanda por leite orgânico nos EUA

20/02/2015

VACAS

Cerca de uma vez por semana, o telefone soa no mercado Dill Pickle Food Coop, em Logan Square, bairro “artístico” em Chicago, e a pergunta é quase sempre a mesma: “Tem leite? Orgânico, para ser mais exato”.

“Há pessoas que ligam e dizem: ‘Eu sei que o caminhão chega terça-feira, você pode me separar três garrafas?’” diz Dana Bates-Norden, funcionária responsável pela compra de bens perecíveis. Desde o ano passado, o leite em garrafas de vidro produzido por fazendas orgânicas do Meio-Oeste dos Estados Unidos começou a esgotar-se apenas dois dias após chegar à loja. “Quando comecei há dois anos, sentia que acabaria perdendo uma boa parte do leite orgânico; agora, não consigo nem manter o estoque.”

Os americanos gastaram em torno de US$ 35 bilhões em alimentos orgânicos em 2014. Cerca de US$ 5,1 bilhões foram gastos em laticínios, mais que o dobro de dez anos antes, conforme dados do “Nutrition Business Journal” publicados no site do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Os produtores têm dificuldade para atender a demanda, uma vez que o leite – cujo preço pode chegar a quase o dobro do comum – vem sendo vendido por varejistas como o Walmart Stores Inc., e redes como o McDonald’s Corp.

Mesmo em Wisconsin, o Estado com mais estabelecimentos leiteiros orgânicos, algumas lojas exibem placas alertando para a falta do produto. No Fresh Madison Market, em Madison, capital do Estado, as vendas de leite orgânico dobraram nos últimos 12 meses, e a alta na demanda levou à falta do produto durante dez dias no início de janeiro, segundo o dono da loja, Jeff Maurer.

“Temos clientes mais conscientes sobre os benefícios dos orgânicos”, disse Jim Hyland, porta-voz da Roundy’s Supermarkets, de Milwaukee. Algumas das 149 lojas da rede, em Wisconsin e Illinois, sofreram falta do produto em 2014. O espaço destinado a laticínios orgânicos dobrou nos últimos cinco anos. Isto “não é algo que vai encolher”, disse.

Não são apenas os moderninhos que vêm aderindo aos orgânicos. Cerca de 45% dos americanos buscam produtos orgânicos, segundo pesquisa do Gallup de agosto. No Dill Pickle, em Chicago, os clientes são bem variados, incluindo solteiros jovens, famílias e consumidores mais velhos.

As vendas de leite orgânico subiram 9,5% nos 11 primeiros meses de 2014, para 2,26 bilhões de libras-peso, segundo dados mais recentes do USDA. Em contraste, a demanda por leite convencional recuou 3,8%, para 43,49 bilhões de libras-peso no mesmo período. O preço de varejo do leite orgânico subiu 8,4% no ano encerrado em 6 de fevereiro, para US$ 3,89 por meio galão (1,893 litro), segundo o USDA. O preço do leite convencional subiu 14%, para US$ 1,92.

O leite vendido como orgânico deve vir de vacas criadas sem hormônios ou antibióticos e os animais devem alimentar-se de pastagens orgânicas ou comer apenas ração orgânica – milho ou outros grãos que não sejam transgênicos nem tratados com defensivos químicos. Tudo isso é regulamentado pelo governo.

Ter a certificação de produção orgânica é um processo demorado e caro. Pelas atuais regras do USDA, o processo pode levar três anos, até que os agricultores convertam as pastagens e as plantações de grãos em orgânicas. No terceiro ano de transição, os animais tem de ser tratados apenas com alimentos orgânicos, o que pode elevar os custos em cerca de US$ 365 mil em uma fazenda com 500 vacas, segundo Andrew Dykstra, presidente da Chico, uma aliança de produtores de laticínios orgânicos na região oeste dos EUA, com sede na Califórnia.

Outra complicação no lado da oferta é o aumento nas exportações de laticínios, que sustentam os preços do leite convencional. Os contratos futuros em Chicago bateram recorde em setembro. Isso significa que os lucros com o leite orgânico foram menores que os obtidos com o convencional nos últimos quatro anos, afirma Matt Gould, no boletim “Dairy & Food Market Analyst”. A Organic Valley, maior cooperativa de agricultores orgânicos nos EUA, paga parte do custo das fazendas leiteiras que queiram fazer a conversão. Para encorajar as conversões, a cooperativa aumentou a compensação neste ano para 75%, segundo o CEO George Siemon.

Para Kathie Arnold, dona de 140 vacas leiteiras na Twin Oaks Dairy, em Truxton, Nova York, a alta nos preços lhe permite investir em novos equipamentos. Ela estima que sua produção vendida em janeiro rendeu cerca de 14% a mais do que um ano antes, maior alta anual desde que converteu sua produção para orgânica, em 1998. “Chegamos a um ponto em nossas instalações em que não podemos crescer sem expandir-nos para outros terrenos.”

Os consumidores vêm aumentando as compras de leite orgânico porque o produto é visto como mais saudável, segundo Bob Goldin, vice-presidente executivo da firma de pesquisas Technomic Inc. . São as qualidades decorrentes da ausência de hormônios e antibióticos que atraem os consumidores, diz Goldin. “Não é necessariamente uma ligação lógica, mas é isso o que muitos consumidores definem como saudável. A definição do que é saudável vem mudando.”

Fonte: Valor | Por Lydia Mulvany | Bloomberg

 

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