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Alimentos sem agroquímicos em hospitais e presídios do RJ

03/09/2015

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O governo do Estado do Rio anunciou nesta semana que poderá oferecer alimentos sem agrotóxicos a hospitais, presídios e casas de detenção para jovens. Até o momento, a administração estadual cumpre apenas a regra de uma lei federal, que destina 30% da produção de agricultores familiares para a merenda escolar.

Coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos (CI Orgânicos) da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Sylvia Wachsner diz que a iniciativa é oportuna, mas defende participação maior dos produtores de orgânicos em ações voltadas para a agricultura familiar.

“No Rio de Janeiro, crescem as feiras que comercializam orgânicos, nos diversos bairros da cidade, no interior do estado, assim como as compras governamentais para a merenda escolar. Estes programas beneficiam os agricultores familiares e permitem incrementar a renda mensal”, informa.

Sylvia também faz uma ressalva destacando que, pelas características do Estado, uma parte dos produtores de orgânicos não se enquadra, por razões de renda ou número de funcionários, dentro da regulamentação de agricultor familiar.

“Minha sugestão para o governo do Estado é que, devido às características dos produtores locais, sejam abertos estes espaços, por exemplo, para que outros produtores orgânicos, que não sejam somente os familiares, possam comercializar seus produtos para hospitais e presídios.”

ORIENTAÇÃO

A coordenadora do CI Orgânicos acredita, no entanto, que para atingir bons resultados o governo deverá implementar esforços para a qualificação de pessoal.

“Abrir novas portas para os alimentos orgânicos é muito interessante, mas a política governamental também deve considerar que os diretores de hospitais e presídios e, sobretudo, as pessoas responsáveis pelo preparo dos alimentos precisam ser capacitadas em relação ao benefício e as características deste tipo de produto”, alerta.

Sylvia explica que, por exemplo, os alimentos orgânicos são sazonais, e os responsáveis pelas compras e cardápios devem ter a compreensão de ajustá-los aos produtos que estão sendo oferecidos em determinada época. “Tudo isto requer aprendizado e comunicação entre as partes”, reforça.

MAIOR PREPARO

De acordo com Sylvia, a iniciativa do governo do Estado do Rio poderá atender a um objetivo maior de qualificação no campo.

“A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, está empenhada em fortalecer a classe média rural. Penso que a comercialização de orgânicos em outros estabelecimentos constitui uma estratégia para favorecer esta meta. Estamos falando de produtores possivelmente mais preparados, com maior estrutura para atender às demandas.”

POLÍTICAS PÚBLICAS

A coordenadora do CI Orgânicos/SNA também acredita que as políticas públicas podem alavancar o consumo de orgânicos no Rio e no Brasil. Para explicar sua perspectiva, ela cita como exemplo uma iniciativa regional.

“Visitei recentemente a Serra Gaúcha (RS) e conheci agricultores que comercializam ameixas frescas e frias nas feiras municipais. As frutas estavam prontas para consumir, porque eram tiradas de uma câmara fria que a prefeitura colocava à disposição.”

Ela conta ainda que os produtores pagam uma taxa mensal para alugar aquele espaço, reduzindo suas perdas no verão e, com isto, oferecendo produtos mais atrativos aos consumidores.

“Este é um exemplo de política pública a ser pensada. Outros seriam os centros de distribuição, armazenamentos e beneficiamentos mínimos dos hortigranjeiros. A logística ainda é bastante cara e complicada, por isso, cabe ao Estado pensar como melhorar este processo.”

MERENDA ESCOLAR

De acordo com o governo, mais de 1,1 mil estabelecimentos de ensino mantidos pelo Estado do Rio já foram beneficiados com alimentos da agricultura familiar, até o momento.

Em recente declaração à imprensa, o secretário de Agricultura, Christino Áureo, afirmou que o volume de compras realizadas pelo Estado neste setor movimenta cerca de R$ 100 milhões ao ano. Mas salientou que este número poderá chegar a R$ 1 bilhão, pois, segundo ele, apenas três mil produtores, de um total de 20 mil, comercializam alimentos para o governo.

Por equipe SNA/RJ

 

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