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Café deixa de ser apenas commodity ao conquistar mercado pelos sabores

29/04/2016

afé fair trade é consumido em países desenvolvidos por consumidores preocupados com as condições socioambientais, sob as quais o grão é cultivado. Foto: Divulgação

Orgânicos, descafeinados e aromatizados são as opções de cafés disponíveis no mercado, que têm atraído cada vez mais os apaixonados pela bebida no Brasil e no mundo. Diante de tantas novidades, o setor vem provando que o grão vai além de ser apenas uma commodity da balança comercial do agronegócio.

“Consumidores de todos os cantos do planeta não querem mais qualquer café. Aliado à paixão por ele, foi desenvolvido também o hábito de pesquisar sobre a bebida, de conhecê-la mais detalhadamente, apreciá-la das mais variadas formas. Assim, nasceram as certificações e o conceito de cafés especiais, capazes de garantir sua pureza e sua origem”, comenta Clodoaldo Iglezia, degustador e diretor industrial da Baggio Café.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), levando em conta a demanda interna, que é de quase 20 milhões de sacas por ano, o consumo da bebida diferenciada equivale a 5% do total, no País. Dentro deste percentual, a maioria dos consumidores por aqui opta por beber o “famoso cafezinho” especial em cafeterias e estabelecimentos especializados.

A instituição ainda destaca que os preços de vendas dos cafés especiais são bem atrativos para quem deseja investir neste negócio: superam 30% a 40% os valores cobrados pela bebida tradicional.

Outro dado da Abic mostra que o Brasil é o segundo maior consumidor de café, com aproximadamente 21 milhões de sacas em 2015, um pouco atrás dos Estados Unidos, que consumiram em torno de 23 milhões, só no ano passado. A expectativa é a de que, nos próximos anos, o mercado cafeeiro nacional supere o norte-americano, impulsionado, especialmente, pela produção de grãos diferenciados no campo e pelo consumo de bebidas especiais.

DIFERENÇAS

De acordo com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), os grãos especiais são divididos em: café de origem certificada, gourmet, orgânico e fair trade. O primeiro está relacionado às regiões de origem dos plantios, até porque certos atributos de qualidade são inerentes à região onde a planta é cultivada.

O gourmet é oriundo de grãos do café arábica, com peneira maior que 16 e de alta qualidade; é diferenciado e quase isento de defeitos. Já o orgânico é produzido sob as regras da agricultura orgânica, deve ser cultivado exclusivamente com fertilizantes orgânicos e o controle de pragas e doenças deve ser feito biologicamente. Apesar de ter maior valor comercial, o café orgânico, para ser considerado como integrante da classe dos especiais, precisa trazer especificações qualitativas que agreguem valor e o fortaleçam no mercado.

Por fim, o café fair trade é aquele consumido em países desenvolvidos por consumidores preocupados com as condições socioambientais, sob as quais o produto é cultivado. Neste caso, segundo a BCSA, o consumidor paga mais pelo café produzido por pequenos agricultores ou sistemas de produção sombreados, onde a cultura é associada à floresta. A instituição ainda ressalta que o fair trade é muito empregado na produção de cafés especiais, pois favorece a manutenção de espécies vegetais e animais nativos.

“No Brasil, assim como em todo o mundo, os consumidores não querem mais qualquer café”, destaca o degustador da bebida Clodoaldo Iglezia, diretor industrial da Baggio Café. Foto: Divulgação

“No Brasil, assim como em todo o mundo, os consumidores não querem mais qualquer café”, destaca o degustador da bebida Clodoaldo Iglezia, diretor industrial da Baggio Café. Foto: Divulgação

MAIS DADOS

O café está presente em 98% das residências brasileiras, graças ao aumento do mercado de quase 20%, nos últimos anos, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Ela aponta também que, embora o consumo do café “gourmetizado” (expressão apenas comercial) esteja em franco crescimento, este hábito ainda é feito, em 64% das vezes, dentro de casa.

“Mesmo em tempo de crise, o brasileiro não para de beber café. Ele pode até migrar para uma marca mais barata, mas não deixa de consumi-lo”, comentou o presidente da Abic, Ricardo Silveira, durante lançamento da 12ª Edição Especial dos Melhores Cafés do Brasil – Safra 2015, realizado nesta quarta-feira, 27 de abril, em São Paulo.

Com foco na demanda crescente por cafés especiais, destaca a instituição, milhares de pequenos produtores do País investem, hoje, em grãos com maior valor agregado. Todos estão de olho em uma diferença que cai bem no bolso: um quilo de café do tipo “commodity” é vendido entre 10 e 25 reais, já o preço dos especiais varia de 30 a 100 reais.

 

BOM PARA A SAÚDE

Para incentivar ainda mais o consumo, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) destaca que esta bebida, além de gostosa, faz bem para a saúde. Sua defesa se baseia em recentes pesquisas feitas no Brasil, Estados Unidos, Europa e Japão, que revelaram: café faz bem para o corpo humano.

Seu consumo diário e moderado – de três a quatro xícaras por dia – pode contribuir para a prevenção de várias doenças, como a diabetes do adulto, o câncer de cólon, fígado e mama, Mal de Parkinson, entre outras. Apesar dos benefícios, o segredo é não exagerar, principalmente no período noturno.

SAFRA DE 2016

Além do cenário promissor em torno do consumo da bebida, 2016 deve ser um ano importante para os cafeicultores brasileiros, principalmente agora, com o início das aguardadas chuvas de outono. Durante evento em São Paulo, o presidente da Abic, Ricardo Silveira, traçou novas perspectivas: as lavouras cafeeiras devem passar da marca de 53 milhões de sacas, resultado acima da estimativa de 49,13 milhões a 51,94 milhões, feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Em sua visão, a safra de café deste ano vai superar a expectativa, tanto em volume quanto em qualidade. “As chuvas ajudaram, choveu na época certa”, disse Silveira, após o lançamento da 12ª Edição Especial dos Melhores Cafés do Brasil – Safra 2015.

MESTRADO EM CAFÉ

Em franca expansão no Brasil e no mundo, o mercado de café também necessita de profissionais gabaritados na área. Para quem tem interesse em se especializar na bebida, estão abertas as inscrições para a edição 2017 do Mestrado Internacional em Economia e Ciência do Café (International Masters in Coffee Economics and Science Ernesto Illy), ministrado na cidade de Trieste, na Itália.

 

Leia a noticia completa: SNA

equipe SNA/RJ, 28.04.2016

 

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