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Produtor tem custo até 40% menor com soja orgânica

06/05/2016
Foto: Divulgação, DBO

Foto: Divulgação, DBO

Há 40 anos sob gestão da mesma família, as fazendas agrícolas do grupo Agropecuária 3G passaram por uma mudança radical na forma de usar agroquímicos. Em Barretos, SP, onde ainda é feito o cultivo de cana e soja convencionais, o manejo integrado de pragas e o controle biológico viraram protagonistas. Enquanto isso, em Jaboticabal, SP, o plantio de cana e soja orgânicas traz retorno não só para o bolso do produtor, mas também para o meio ambiente.

A iniciativa é conduzida pela terceira geração, da qual o engenheiro agrônomo Paulo Eduardo Garcia Junior faz parte. Os benefícios ele próprio, o pai e o irmão constatam a cada dia. Com a soja orgânica, alcançaram economia de 30% a 40% nos custos de produção. Na hora da venda, os ganhos chegam a ser de 50% a mais por saca. No caso da cana, o mesmo vale para o preço da tonelada, apesar de a economia com os custos produtivos ser menor, de até 15%.

A diferença na economia

Eduardo Garcia Junior explica que a diferença nos gastos com ‘convencional x orgânico’ se dá principalmente por conta da economia com adubos químicos e herbicidas.

Já comparando a cana orgânica x a soja orgânica, o que mais pesa é a duração dos ciclos produtivos e o manejo das culturas. “Esse ano os custos não foram menores do que 5% para a cana, isso por conta do gasto com funcionários para capinar as plantas daninhas. Quando não chove, a disponibilidade de umidade e nutrientes para o cultivo diminui e, como eu não trabalho com adubos químicos no orgânico, a competição entre as plantas invasoras e a cana aumenta”, afirma Garcia.

Mesmo assim, nas últimas safras, a produtividade média alcançada nas fazendas do grupo foi de 100 ton de cana convencional/ha, em Barretos; e 96 ton de cana orgânica/ha em Jaboticabal. A soja é semeada sobre áreas de reforma da lavoura canavieira. “Esse ano foram 60 sacas de soja/ ha no plantio convencional e 50 sacas/ha no orgânico”, diz Garcia. Apesar da produtividade da soja orgânica ser menor, o ganho em faturamento ainda compensa, sendo de 25% no final das contas.

A área plantada com orgânicos é de 300 ha de cana e 40 ha de soja. Já a cana convencional ocupa 500 ha e a soja 100 ha.

Um novo olhar sobre o manejo

Com o apoio da Unesp Jaboticabal e da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio), o caminho do produtor se tornou menos árduo quanto ao manejo. “Em dois anos, até acontecer a conversão, fui me familiarizando com os produtos e tudo ficou mais fácil. Você vai deixando de acreditar só nos benefícios, e começa a entender a mudança na prática”, diz.

Em relação aos orgânicos, o manejo nas fazendas da família difere quanto à utilização de herbicidas e adubos, já que o combate a pragas e doenças Garcia procura fazer apenas com produtos biológicos. “Mesmo no convencional, só uso químicos quando a situação foge do meu controle. Aí recorro a algum fungicida ou inseticida. Felizmente são casos esporádicos”, afirma.

Entre os produtos utilizados estão fungos e insetos predadores e ovipositores. O fungo Metarhizium anisopliae, por exemplo, controla as cigarrinhas da cana-de-açúcar, enquanto as vespas Cotesia flavipes controlam a broca. Com o tempo, o produtor foi aprendendo como aplicá-los ou que agente escolher.

“Os fungos são muito sensíveis à umidade e à temperatura. E agora eu sei que vou precisar trabalhar de noite e às vezes de madrugada para dar condições de eles proliferarem e terem uma boa eficiência. O ponto negativo é que eu não posso ir a campo em qualquer horário, mas é certo que fazendo uso corretamente, vou ter resultado”, diz. Uma vez aprendida a lição, ele garante que as tarefas ficam mais fáceis. Foi assim também com a Cotesia flavipes.

“De início, testamos a vespa Trichogramma para fazer o controle da broca, mas percebemos que a janela para trabalhar com ela, no caso da área de cana, seria muito curta”, conta. Como a larva da Cotesia se alimenta da broca, fazer o levantamento da praga com pano de batida foi uma alternativa melhor frente à opção de espalhar armadilhas com feromônio pela lavoura para estimar a quantidade de mariposas circulantes.

 Na propriedade dos Garcia, o Trichogramma é usado apenas para controle de lagartas na soja – que é cultivada em uma área menor, o que facilita a distribuição das armadilhas.

As vespinhas chegam embaladas cada uma a um modo. “A Cotesia vem nuns copinhos e eu distribuo em torno de 4 deles por hectare no canavial. Fazemos isso caminhando ou de moto. O Trichogramma vem em cápsulas e, dependendo da infestação, usamos 5 cápsulas por hectare”. Ambas as embalagens são biodegradáveis e não precisam ser recolhidas após o uso.

“Quanto às doenças, estamos usando um fungicida à base de oxicloreto de cobre, que tem o metal em baixa concentração, para fazer o controle preventivo”. O produto, chamado Difere, evita, entre outras coisas, o aparecimento da ferrugem asiática. No início do cultivo da soja orgânica, Garcia trabalhava com a aplicação de calda bordalesa, um preparado caseiro com o mesmo fim da substância à base de cobre. “Mas depois adotamos esse produto, que é homologado pelo IBD e tem uso permitido pelas diferentes certificações de orgânicos, e seguimos com ele”, diz. Certificadora nacional, o IBD trabalha com regulamentação de orgânicos e produtos sustentáveis.

Um passo de cada vez

A mudança na forma de manejo foi acontecendo aos poucos. A partir do ano 2000, com o suporte de uma usina da região, foi executado o projeto de implantar a colheita mecânica e reduzir o uso de insumos químicos na cana. Em 2004, a fazenda passou a cultivar cana orgânica e, em 2006, veio a certificação.

Com a soja orgânica os trabalhos começaram há três anos e hoje a Agropecuária 3G tem sete selos reconhecidos em diferentes comunidades internacionais. O destino tanto da soja como da cana orgânicas é a exportação. “Trabalho com empresas que exigem essas certificações. Uma é a Native, do Grupo Balbo, de Sertãozinho, e a outra a Gebana, empresa suíça com foco na Europa, mas que  exporta também para os Estados Unidos e Japão.

Quando é feita a conversão de uma lavoura convencional em orgânica, Garcia explica que cada certificação coloca um período para a transição. O mínimo, segundo ele, são 24 meses para a soja, o que vale para a legislação europeia. No caso da japonesa e americana, o tempo exigido é de 36 meses. De acordo com a cultura, isso pode variar.

No interior de São Paulo, a família está satisfeita, e não volta atrás: “O produtor precisa ter mais consciência. Deixar de comprar tudo aquilo que oferecem e usar aquilo de que realmente precisa. Se for necessário aplicar o químico, tudo bem, ele é uma ferramenta. O que não pode é fazer uso de forma indiscriminada”, conclui Eduardo Garcia.

Fonte: Portal DBO

 

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