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O sucesso dos vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais

21/03/2017
Cultivo de uva orgânica da empresa Coopernatural, produtora, entre outros produtos, de vinhos e espumantes orgânicos. Foto: Sylvia Wachsner

Cultivo de uva orgânica da Coopernatural, produtora de vinhos e espumantes orgânicos. Foto: Sylvia Wachsner

Assim como todo o setor de alimentos naturais e orgânicos, o mercado de bebidas diferenciadas tem crescido no Brasil e no mundo. Segundo dados do Conselho Nacional da Produção Orgânica e Sustentável, a expansão dos produtos orgânicos no país foi, em 2016, de 20% e o faturamento atingiu cerca de R$ 3 bilhões.

No momento da vinificação, esses vinhos são classificados entre naturais, orgânicos e biodinâmicos e o preço da uva tem se mostrado uma questão importante. De acordo com Maurício Copat, responsável técnico do departamento agrícola da vinícola Salton, o valor da fruta orgânica, que é a utilizada para todas essas bebidas, é 50% mais alto que o valor da mesma uva não-orgânica. “Tomando como exemplo a garantia de preço mínimo de R$ 0,92 do tipo isabel nesta safra, estabelecido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o valor da orgânica pode chegar até R$ 1,38 o quilo. Depende do mercado”, diz ele. Mesmo assim, a produção tem sido pequena. Hoje, a produção de orgânicas ainda representa 1% do cultivo de viníferas. No Rio Grande do Sul, o maior produtor, o cultivo estimado para a safra encerrada no ano passado foi de cinco milhões de quilos de uvas orgânicas, dos quais, 1,5 milhão se transformaram em vinho.

As diferenças

  • Vinho orgânico: os americanos naturalistas da Califórnia foram os primeiros a produzir vinho orgânico nos anos 1960. Os europeus só foram fabricá-los 30 anos depois. Nos vinhedos é utilizado só adubo natural e na vinificação é permitido o uso de insumos enológicos na correção de características como aparência e sabor.
  • Vinho biodinâmico: filosofia em que a biodiversidade ao redor da vinícola é respeitada. Nesse modelo de agricultura, a natureza se ajuda. Por exemplo, outras plantas contribuem na mineralização do solo e controle de pragas. Na vinificação não é permitida a adição de insumos, exceto o sulfito (dióxido de enxofre), utilizado para proteger o vinho contra a oxidação.
  • Vinho natural: pode ser produzido a partir do orgânico ou biodinâmico. O que caracteriza é a ausência de leveduras ou aromatizantes artificiais, além de não passar por nenhum tipo de filtragem. A falta desses componentes pode reduzir o tempo de vida da bebida.

A nutricionista, sommelière e chef de cozinha Lis Cereja, 32 anos, optou por apenas servir pratos feitos com ingredientes orgânicos em seu restaurante e isso inclui até a bebida. Na Enoteca Saint Vin Saint, são oferecidos aos clientes cerca de 300 rótulos de vinhos orgânicos, além dos naturais e dos biodinâmicos, entre os tipos finos, de mesa e espumantes.

“A nossa casa é a única do país que oferta somente vinhos ‘naturebas’. Vendemos até 300 garrafas por mês”, afirma Lis.

O preço dos rótulos é de, em média, R$ 100, mas há opções que podem chegar a R$ 500. Atualmente, da receita anual de R$ 2 milhões da Saint Vin Saint, R$ 600 mil são com os vinhos.

Produção além do cultivo

Salete Teresinha Arruda da Silva, gerente comercial da Cooperativa de Produtores Ecologistas do município de Garibaldi (Coopeg), na Serra Gaúcha, iniciou junto com seu marido, o enólogo Jorge Luís Mariani, o cultivo da variedade “isabel” em uma área de seis hectares, em 2004 e, atualmente, produzem vinho.

“Começamos vendendo as uvas para a indústria e depois a fazer vinho para consumo próprio”, é o que conta a produtora. Mas, desde 2006, a atividade se tornou um negócio. O casal tem produzido cerca de 20 mil litros de vinho por safra. Eles contam com o cultivo próprio da fruta e mais o de 16 cooperados à Coopeg. Somente o casal produz a bebida na Serra Gaúcha, os demais cooperados fazem apenas suco e geleia da fruta. No ano passado, a Coopeg, que tem 53 famílias integradas, faturou cerca de R$ 1,2 milhão com vinho orgânico.

Aumentar a oferta da bebida é um dos maiores desafios do setor. Para o enólogo Jaime Fensterseifer, professor universitário por 45 anos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e na Universidade de Caxias do Sul, ainda levará uma década para que o mercado de vinhos processados a partir de uvas orgânicas se consolide no país. “Os orgânicos e biodinâmicos são os vinhos que mais crescem no mercado. É um caminho irreversível”, diz Fensterseifer.

Fonte: Dinheiro Rural

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