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Evento debate o consumo e a produção de orgânicos

29/06/2017
Foto: Giovanni Bello / Folhapress

Foto: Giovanni Bello / Folhapress

Na última terça-feira (27) foi realizado um debate entre empreendedores, ativistas e especialistas no evento “Diálogos Transformadores Nova Agricultura: Uma Produção Mais Sustentável de Alimentos e Fibras”, realizado pela Folha de São Paulo, em parceria com a Ashoka e com o apoio do Instituto C&A.

No debate, os participantes chegaram à conclusão de que produzir e consumir orgânicos é um movimento que precisa estar ancorado em sistemas produtivos e de distribuição sustentáveis do ponto de vista econômico, social e ambiental.

Entre os participantes estavam o fundador da Fazenda da Toca, referência em produção orgânica e agroecológica, Pedro Paulo Diniz; o Chef Alex Atala, fundador do Instituto Atá, criado com o objetivo de fortalecer a cadeia do alimento brasileiro; e Silvio Moraes, pesquisador de algodão orgânico e embaixador da ONG Textile Exchange na América Latina.

No debate, Pedro Paulo Diniz contou sua experiência com a produção orgânica em larga escala, em uma fazenda que trocou o sistema tradicional de produção pelo modelo agroflorestal. “Foi um grande aprendizado, não apenas por olhar como a produção de orgânicos deve ser, mas também por olhar como o mercado convencional opera”, relatou Diniz.

Para Alex Atala, é importante que o homem da cidade se reconecte com os saberes e sabores da natureza. O Chef falou também sobre as iniciativas do seu instituto, entre elas a valorização da cultura alimentar dos povos indígenas, como os baniwa e os ianomâmis.

“Neste momento em que a gente vive, é preciso poder aproximar o saber do comer, o comer do cozinhar, o cozinhar do produzir e o produzir da natureza. O ato de cozinhar e comer influencia hoje diretamente no ambiente”.

Alex Atala – Chef

Já Silvio Moraes destacou a importância do pequeno produtor e da agricultura familiar em uma cadeia sustentável na indústria têxtil. “O algodão orgânico é cultivado essencialmente por pequenos agricultores. É preciso ter um maior número de produtores”, afirmou.

O mercado de vestuário e fibras orgânicas movimenta cerca de US$ 15 bilhões em todo o mundo, e segundo Moraes, há um imenso potencial de crescimento desse cenário, inclusive no Brasil.

O debate teve uma segunda parte, onde os protagonistas passaram a interagir com outros três debatedores. Entre eles, Laércio Meirelles, engenheiro agrônomo e coordenador da ONG Centro Ecológico, criada com o objetivo de viabilizar a adoção de tecnologias alternativas na produção agrícola. Meirelles destacou o papel da agricultura orgânica como uma oposição ao uso desenfreado de agrotóxicos e reforçou ainda que a base científica natural que ela possui não deve ser alterada pela lógica de mercado. Para ele, “infelizmente, a ciência agronômica nas últimas décadas confunde interesse de mercado com ciência. O que deveria ser formação de conhecimento científico, as vezes é pautado pelo interesse de grandes empresas”.

O coordenador de agroecologia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Rogério Dias, também participou da conversa falando sobre o papel do governo no fomento à agricultura orgânica e sua inserção diante do agronegócio.

Arlindo de Azevedo Moura, representante dos produtos de algodão e presidente da Abrapa (Associação Brasileira de Produtores de Algodão), também estava presente e destacou que, no Brasil, 71% dos produtores são certificados pelo BCI (sistema Better Cotton Initiative) e correspondem a 30% do algodão certificado do mundo.

Moura relativizou o dado bruto que aponta o Brasil como o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e argumentou que apesar de o país gastar cerca de US$ 9 bilhões anualmente com agrotóxicos, é preciso relativizar esse número diante da quantidade de alimento produzido. Para ele, “essa comparação não é justa porque produzimos muito mais quilos de alimentos. O Brasil usa 4,2 quilos de ingrediente ativo por hectare, enquanto a Holanda usa 20 quilos de produto ativo por hectare. Para cada dólar gasto com agrotóxicos, o Brasil produz 142 quilos de alimento”.

Moura afirmou ainda que não é possível suprir a demanda de alimentos apenas com orgânicos, opinião essa que foi contestada por Alex Atala e Pedro Paulo Diniz, que afirmou que “nesses anos todos que eu estou como agricultor, acredito piamente que é possível alimentar o mundo com orgânicos”.

Leia a matéria completa em http://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/2017/06/1896696-consumo-e-producao-de-organicos-tem-que-ganhar-escala-aponta-dialogos.shtml

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