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Agricultura biológica se expande pelos países europeus

03/08/2017
Foto: Sylvia Wachsner

Foto: Sylvia Wachsner

Os consumidores europeus estão buscando cada vez mais alimentos saudáveis e isso tem feito com que os produtos biológicos sigam ganhando destaque na agricultura europeia. Segundo as estatísticas europeias mais recentes (2015), o consumo de produtos biológicos na União Europeia (UE) foi de 28,3 bilhões de euros; 70% deste gasto tinha origem em quatro países: Alemanha, França, Itália e Reino Unido. Porém, os consumidores que mais compram esses produtos, segundo dados do mesmo ano, são os dinamarqueses (8,4% das suas compras), os austríacos (8%) e os suecos (7,7%).

A Alemanha é o primeiro mercado bio da Europa, país no qual o gasto em produtos ecológicos quadruplicou em 15 anos, com 8,62 bilhões de euros de volume de negócios em 2015. Na Alemanha, a grande maioria dos produtos ecológicos é vendida em comércios de grande distribuição, dessa forma o consumo bio tem se desenvolvido mais rápido que a produção e os números demonstram isso: 80% dos tomates e 90% dos pimentões orgânicos consumidos pelos alemães procedem da Espanha e da Itália.

O mercado bio mais dinâmico na Europa é o da Suécia, que progrediu 38% em 2014 e 39% em 2015, chegando a marca de 2,3 bilhões de euros.

Diante dos escândalos alimentares dos últimos anos e insistindo nas questões de saúde, diferentes estudos foram realizados pelo Instituto Sueco de Pesquisa Ambiental e contribuíram para essa crescente busca por alimentos saudáveis. Um desses estudos demonstrou a diminuição dos resíduos de pesticidas na urina de uma família, graças a uma dieta bio.

Áreas de cultivo bio na Europa

Segundo o escritório europeu de estatísticas Eurostat, a superfície agrícola dedicada aos cultivos biológicos na UE aumentou 21% em cinco anos, crescendo cerca de 11,1 milhões em hectares no ano de 2015, contra 9 milhões em 2010.

Praticamente todos os países da UE expandiram suas áreas de cultivo bio, à exceção de dois deles: Reino Unido com 495.929 hectares, 29% a menos que em 2010 e Holanda, com 44.402 hectares de cultivo bio, uma redução de 4%.

Em 2015, quatro países concentravam pouco mais da metade (53%) das superfícies de cultivos bio europeias: Espanha, com 1,96 milhão de hectares (21,9% a mais que em 2010); seguida pela Itália, com 1,5 milhão de hectares (um aumento de 34% em relação a 2010); França, com 1,36 milhão (representando um aumento de 61%); e Alemanha, com 1,06 milhão (um aumento de 7%).

A  Polônia, na quinta posição, contava com quase 600.000 hectares em 2015 (11%), sendo considerado um país com grande potencial de crescimento para a alimentação bio, segundo relatório divulgado em abril de 2017 pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Existe, em toda a Europa, grandes margens de avanço para a produção biológica. Segundo a Eurostat, os chamados países do norte, como Áustria, Suécia e Estônia são proporcionalmente os mais ecológicos, com mais de 15% das suas terras agrícolas dedicadas à produção bio em 2015 ou em conversão para o modelo bio, uma etapa intermediária durante a qual os agricultores mudam suas práticas progressivamente.

Em seguida, aparecem a República Tcheca, Letônia e Itália, com mais de 10% de terrenos agrícolas dedicados aos produtos biológicos. Na Itália, país com o maior número de produtores bio (45.246), o setor se assemelha ao de uma indústria.

Cereais 

Quanto à produção, Alemanha, Itália e Espanha contam com as maiores superfícies de cereais bio, com cerca de 200.000 hectares cada um.

No total, em 2015 em toda a UE havia mais de 1,7 milhão de hectares de cultivos ecológicos de cereais, 3% da superfície total de grãos.

Leguminosas 

No que se refere às superfícies dedicadas às leguminosas (feijão, lentilha, grão de bico, etc), França, Espanha e Itália estão à frente com 68.000, 39.000 e 37.000 hectares, respectivamente.


Hortaliças 

A Polônia é o primeiro país em questão de hortaliças bio, com 41.819 hectares cultivados, na frente da Itália (29.487 hectares) e França (16.832). Além disso, é o maior produtor de morangos bio na Europa, com 2.900 hectares em 2015.


Cítricos 

A bacia do Mediterrâneo é líder em cítricos bio – laranjas e limões -, com a Itália à frente graças aos seus 31.869 hectares em 2015 (dos 42.000 da UE), seguida pela Espanha, com 8.245 hectares.

A Grécia, devido à crise, registrou uma redução das superfícies até 1.295 hectares em 2015, em comparação com os 1.909 hectares de 2010.


Azeitonas 

A mesma coisa aconteceu com a Grécia com os cultivos de azeitonas bio, cuja superfície passou de 56.970 hectares em 2010 a 47.605 hectares em 2015.

Na Espanha (líder nesta categoria), as superfícies aumentaram até 197.000 hectares, em comparação com os 126.000 de 2010. Em seguida está a Itália, onde as oliveiras bio se estendiam em 2015 ao longo de 180.000 hectares, contra 140.700 em 2010.


Vinhedos, uvas e vinho

Os vinhedos bio da Europa estão dominados pelo trio Espanha, Itália e França, que também são os três primeiros produtores mundiais de vinho.

Embora as superfícies ecológicas ainda estejam longe das dos vinhedos convencionais, seu crescimento foi forte: 40,7% na Espanha entre 2010 e 2015, até 96.591 hectares (principalmente na região de Castilla-La Mancha); 37,5% na Itália, alcançando 83.643 hectares (sobretudo na Sicília); e 28,6% na França, com 70.496 hectares (em Languedoc-Roussillon).

Fonte: Correio Braziliense 

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