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Cooperativa pernambucana participará da maior feira de orgânicos do mundo

19/12/2017
Foto: Missão Sead

Participação da Coodapis na edição 2017 da Biofach. Foto: Missão Sead

A Cooperativa da Agricultura Familiar Indígena e Assentados do Nordeste Brasileiro (Coodapis) representará a região na maior e mais importante feira do setor de orgânicos do mundo, a Biofach. O evento acontecerá em fevereiro de 2018 em Nuremberg, Alemanha. Oito empreendimentos brasileiros foram selecionados na chamada pública da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), entre eles e a Coodapis, que começou a operar há sete anos na cidade de Tabira, Sertão do Pajeú, localizada a 405 quilômetros da capital pernambucana, Recife.

Em 2018 ocorrerá a 15ª participação do governo brasileiro na Biofach, por intermédio da Sead, que organiza o estande Family Farming, levando para o exterior um pouco da qualidade dos produtos da agroecologia do Brasil. Os oito empreendimentos selecionados são dos estados de Pernambuco, Minas Gerais, Rondônia, Pará e Paraná.

A Coodapis disponibilizará para degustação na Family Farming mel, geleias e polpas de frutas típicas da região, embora produza muitos outros itens. Este é o sexto ano que a cooperativa embarca nesse ambiente de negócios em que profissionais e produtores orgânicos apresentam as últimas tendências internacionais do setor.

De acordo com o titular da Delegacia Federal de Desenvolvimento Agrário em Pernambuco, Rodrigo Almeida, a Biofach representa uma possibilidade importante para dar visibilidade aos produtos da agricultura familiar brasileira e ainda, um momento para identificar e concretizar negócios.

“A Alemanha tem tradição na produção de orgânicos e uma boa estrutura de distribuição. Só participa da Biofach quem tem certificação de orgânicos, o selo IBD, e escala para atender compradores europeus. Além da visitação pública, o evento possibilita intercâmbio de experiências, capacitação em um ambiente de negócios internacional, além de elevar o perfil da agricultura familiar no Brasil e no Exterior”, defende o delegado.

Escala

Antes da Coodapis Tabira, os agricultores da região não tinham tradição na apicultura. Hoje somam 368 agricultores cooperados em 14 municípios do Sertão de Pernambuco e da Paraíba e chegam a produzir 250 toneladas de mel por ano.
Em função da mais severa seca que atinge o semiárido pernambucano nas últimas décadas, a cooperativa resolveu diversificar suas atividades e passou a produzir polpa de fruta, peixe, frango caipira, ovos, inhame, cará e macaxeira embalados a vácuo, feijão verde, uma linha de pescados, como o filé de tilápia orgânico, carne moída de tilápia sem cartilagem e caldo de peixe; charque e linguiça.

Segundo o presidente, fundador da Coodapis, José Adelmo Cabral, a Biofach conseguiu atender toda a demanda de inhame da merenda escolar do Recife, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). E a partir de janeiro do próximo ano, a marca estará nas lojas de grandes estabelecimentos como Walmart e Pão de Açúcar. Cabral acrescenta que a cooperativa ainda atende à demanda do estado de 14 toneladas por mês de cesta básica, com açúcar e farinha.

História

A criação da Coodapis está associada diretamente à trajetória do recifense José Adelmo Cabral, formado pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, em meados da década de 1980. Durante a Era Collor, Adelmo voltou para o Recife, época em que o governo brasileiro reabria as portas para os carros importados.

Naquele momento enxergou uma oportunidade de negócios com a pintura de carros. Ninguém conseguia a tonalidade da cor original desses modelos e ele abriu uma oficina especializada nesse segmento. Pouco tempo depois, Cabral levou para a Califórnia, Estados Unidos, suas habilidades em pinturas personalizadas, uma experiência que durou quatro anos.

Retornou ao Recife e pouco depois casou-se com uma dentista, cuja família era de Tabira. Ao visitar a cidade ficou impressionado com a quantidade de enxames de abelhas presentes na propriedade dos sogros. Foi então que começou seu interesse por investir na apicultura.

Desenvolveu técnicas de manejo próprias, desafiando a literatura especializada e construindo seus próprios instrumentos de trabalho. Essas iniciativas não só facilitaram a produção, como baratearam os custos. Suas invenções foram reconhecidas. Em 2012, recebeu o prêmio de Tecnologia Social concedido pela Fundação Banco do Brasil (FBB), em seguida, o de Inovações Tecnológicas do Senai, com o desenvolvimento da lâmina de cera de papel; e em 2016, a Coodapis foi contemplada pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) como melhor cooperativa do Brasil em tecnologias inovadoras.

Quando Cabral começou com a produção de mel, comercializava aos domingos na Feira da Rua do Bom Jesus, no Recife Antigo. Mas, com o aumento da demanda, foi obrigado a pensar em alternativas, procurou a Associação de Caprinocultura de Tabira e convenceu produtores a diversificar seus negócios investindo na apicultura. Não foi tarefa das mais fáceis. Cabral capacitou os cinco primeiros interessados, fazia as colmeias, produzia ele mesmo os equipamentos, comprava os tecidos para as roupas especializadas e orientava as costureiras.

Em 2008 criou a Associação Tabirense de Apicultores e no ano seguinte nove associados aderiram ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar da Sead (Pronaf). Logo viraram cooperativa. Hoje a Coodapis distribui para as frutarias, supermercados, Casa dos Frios, Perini.

Depois das participações na Biofach, começou a distribuir polpa de frutas para a Suécia, que descarta a embalagem brasileira e a substitui por outra totalmente comestível, tornando o produto ainda mais sustentável.

A coordenadora da Coodapis, Michelle Damascena, é quem leva a marca da cooperativa para a feira internacional e diz que os empresários mais interessados nos seus produtos são os norte-americanos, espanhóis e os europeus dos países nórdicos.

“Participar da Biofach nos traz chances reais de fechar negócios e ter uma visibilidade imensa no mercado nacional e internacional. Somos conhecidos e respeitados pelo trabalho diferenciado na linha de orgânicos. Na edição de 2018 levaremos para a feira a história de cada agricultor e agricultora, através de cartões em que estarão impressas as histórias dessas pessoas. Neles contaremos também como cada produto foi manufaturado, a exemplo da linha de doces delicadamente produzida pelas mulheres da cooperativa”, ressalta Michelle.

O exemplo de resistência da Coodapis mostra que o Semiárido não é apenas uma região de chão rachado e cabeças de gado mortas pelas estradas como aparece nas fotografias, mas também produz riquezas que precisam ser descobertas e incentivadas.

Moema Luna

Delegacia Federal de Desenvolvimento Agrário em Pernambuco (DFDA-PE)

Contatos: (61) 2020-0120 e imprensa@mda.gov.br

Fonte: Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário

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