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Rio Grande do Sul lidera produção de arroz orgânico

04/01/2019

Arroz orgânico da Terra Livre. Foto: Sylvia Wachsner (CI Orgânicos/OrganicsNet)

Filhos de agricultores, Nilvo Bosa, Ailton Luiz Rubenich e Marildo Molinari fazem parte dos grupos de famílias ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) que foram assentadas pelo governo federal em 16 municípios gaúchos, onde produzem a maior safra de arroz orgânico da América Latina. Juntas, associadas em cooperativas, as 501 famílias colheram na última safra 24.000 toneladas do cereal, que é comercializado com a marca Terra Livre. O reconhecimento como maior produtor foi conferido ao MST pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Rio Grande do Sul responde por cerca de 8,3 milhões de toneladas dos 11,7 milhões de toneladas de arroz produzidas neste ano no Brasil. A entidade não diferencia o arroz orgânico do convencional. A área plantada no Estado sulino alcança 1,1 milhão de hectares, com produtividade média de 154 sacas de 50 quilos por hectare. Pelos dados do Irga, o plantio de orgânico no Estado ocupa 6.000 hectares, sendo 4.600 em assentamentos do MST. A produtividade média é de 100 sacas por hectare e o custo de produção é a metade na comparação com o cultivo que usa agroquímicos.

Nilvo, além de plantar arroz coletivamente com mais 29 famílias no assentamento Capela, dirige a Coopan (Cooperativa de Produção Agropecuária), em Nova Santa Rita, que abriga uma agroindústria do MST para beneficiamento do arroz 100% orgânico. “Aqui a gente produz, seca, armazena, beneficia e vende.”

Ailton explica que o grupo optou pelo plantio de arroz orgânico depois de algumas safras frustradas de arroz convencional: “A gente queria produzir sem nos contaminar com os defensivos e também plantar alimentos mais saudáveis para nossa família e outros consumidores”.

Todos os agricultores que produzem arroz orgânico se reúnem em grupos gestores para discutir questões de plantio, colheita, beneficiamento e para estabelecer a política de preços. Segundo Emerson Giacomelli, coordenador do Grupo Gestor do Arroz Agroecológico do MST, o maior volume (cerca de 60%) é comprado pelo governo federal para a merenda escolar e para a formação de estoques públicos de alimentos.

Outra parte do Terra Livre vai para feiras e lojas de produtos orgânicos, restaurantes e alguns supermercados. O MST também vende o arroz para indústrias de orgânicos que embalam o grão com suas marcas próprias. Uma pequena parte é exportada para Venezuela e Uruguai e uma parceria com uma empresa de Santa Maria (RS).

A dependência dos programas do governo, que diminuíram suas compras nos últimos anos, incomoda. “Estamos trabalhando para buscar novos mercados. Além de restaurantes, supermercados e feiras, negociamos atualmente com o Exército, universidades e hospitais”, diz Emerson.

Cerca de 60% das sementes são produzidas nos próprios assentamentos. O plantio é do tipo irrigado por inundação, como a maior parte dos cultivos de arroz no Estado. Cada etapa do processo de produção é certificada. Uma das marcas certificadoras é o Instituto Mercadológico de Orgânicos (IMO), com sede na Suíça, que faz auditoria anual em 10% das propriedades e  arroz é beneficiado em quatro agroindústrias.

Estãofechado um contrato para a construção de uma agroindústria em Eldorado do Sul que vai tornar o MST autossuficiente no beneficiamento. O financiamento de R$ 20 milhões, sendo R$ 14 milhões para a agroindústria e R$ 6 milhões para capital de giro, virá da Fundação Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Na opinião de André Oliveira, engenheiro agrônomo do Irga, o MST precisa diminuir a dependência dos programas federais e investir mais na identidade do seu arroz para ganhar mercado.

Leia a noticia completa: Globo Rural

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