A agricultura familiar e a agroecologia no estado de Goiás

Projeto Compostar conduzido na Fazenda Agroecológica da Embrapa Arroz e Feijão e nas propriedades de produtores parceiros em Orizona e Buritizinho / Foto: RIZZO, Pricila Vetrano - Embrapa
Projeto Compostar conduzido na Fazenda Agroecológica da Embrapa Arroz e Feijão e nas propriedades de produtores parceiros em Orizona e Buritizinho / Foto: RIZZO, Pricila Vetrano – Embrapa

A agroecologia tem sido considerada, por muitos agricultores do estado de Goiás, como a base para se produzir de forma sustentável. Ao alterarem os sistemas produtivos, estes produtores modificam os cultivos, os tipos e a intensidade de insumos aplicados na produção, visando a sustentabilidade e a segurança alimentar. Com essas ações, a produção tende a apresentar uma maior biodiversidade quando comparadas às grandes propriedades rurais. Isso acontece devido a tendência aos policultivos e a pluralidade local desenvolvidos por esses agricultores.

Os agricultores familiares têm utilizado formas de agricultura baseadas na agroecologia para superar a exclusão econômica e social e, também, a deterioração ambiental.

O associativismo tem um papel importante nesse processo, sendo uma das formas de ação coletiva utilizada pelos agricultores familiares e indicando os projetos de agricultura mais adequados ao contexto sócio espacial em que vivem.

Os sistemas agroflorestais (SAF’s) são exemplos de experiências de busca por formas de produção agroecológicas utilizadas pelos agricultores familiares. Nesse sistema, são utilizados o manejo da terra, nas quais as árvores e os arbustos são usados em conjunto com a agricultura e os animais na mesma área, de maneira simultânea ou numa sequência de tempo.

Devido a grande diversidade de espécies vegetais, os SAF’s criam condições favoráveis para o restabelecimento das funções agroecológicas-ambientais na propriedade, permitindo uma maior fixação de mão-de-obra no campo e uma maior rentabilidade financeira, devido a diversificação na produção.

As ações agroecológicas buscam a valorização do espaço rural de cada comunidade como um ambiente rico em experiência de vida e intimamente ligada à preservação dos recursos naturais da região.

Projeto Compostar

A equipe de pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão (Santo Antônio de Goiás/GO), com o objetivo de fortalecer as ações em agroecologia no estado de Goiás, executa o projeto Compostar. Iniciado em junho de 2014, coordenado pela pesquisadora Flavia Alcântara, o projeto tem como base desenvolver e validar fertilizantes orgânicos e organominerais a partir de resíduos da pecuária leiteira, dando suporte ao manejo produtivo agropecuário na região.

Elísio Pinheiro, agricultor familiar produtor de banana, feijão e hortaliças, faz parte de um grupo de agricultores agroecológicos em Taquaral (município de Orizona/GO). Na equipe do Projeto Compostar, ele percebeu a riqueza dos materiais disponíveis em sua propriedade para fazer compostagem, como por exemplo, serapilheira da mata (folhas, galhos e frutos que caem das árvores), além das próprias folhas de bananeira.

“Vi a diferença do composto que faço agora e do que eu fazia antes do projeto. O último que eu fiz ficou bem melhor, eu usei nas hortaliças e o resultado foi muito bom. Aqui a gente corre atrás da tecnologia para ajudar a gente”, afirmou o agricultor.

A ação tem como suporte a pesquisa participativa feita junto aos agricultores e por meio da produção e do uso dos fertilizantes orgânicos e organominerais produzidos nas próprias propriedades, que passam a funcionar como polos de irradiação dos conhecimentos e práticas gerados.

Além do projeto agroecológico junto aos produtores de Orizona, o centro de pesquisa da Embrapa em Goiás conta com outra ação com foco em sustentabilidade, segurança alimentar e qualidade de vida do produtor. O projeto ‘Uso de sistemas agroflorestais para a recuperação de áreas degradadas, produção de alimentos e desenvolvimento rural sustentável’, coordenado pelo pesquisador Agostinho Didonet, reúne conhecimentos técnicos, científicos e de caráter ecofisiológico, ambiental e social, utilizando um sistema agroflorestal com espécies arbóreas, nativas do cerrado brasileiro, fortalecendo a segurança alimentar, a recuperação de áreas degradadas e a recomposição florestal para o desenvolvimento rural da localidade.

Esta associação da produção de cultivos destinados à produção de alimentos básicos, com sistemas agroflorestais de finalidades múltiplas e agroecológicas pode ser uma alternativa importante e sustentável na preservação ambiental com agregação de renda e valor para a agricultura familiar.

Fonte: Embrapa

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