Açúcar orgânico conquista espaço

                                                     açúcar organico itajá

O grupo Jalles Machado, que espera processar 4.3 milhões de toneladas de cana na safra 2015/16 nas duas usinas que opera em Goianésia (GO), vinha “namorando” o mercado asiático há longo tempo. A oportunidade surgiu de forma mais concreta a partir do ano passado, quando o grupo identificou, segundo seu diretor comercial, Henrique Penna de Siqueira, “um crescimento importante na região” e iniciou a venda de açúcar orgânico para Japão, Coreia do Sul e, a partir deste ano, também para a China.

O grupo alcançou no fim de janeiro a certificação para vender o produto aos chineses, depois de um processo que consumiu “dois a três meses”, de acordo com Penna, incluindo a visita de auditores daquele país às usinas e à área de produção de cana orgânica, iniciada pela Jalles Machado ainda em 2003. Sob a marca Itajá, a produção de açúcar orgânico representa, atualmente, em torno de 20% da produção total e 90% são destinados a mais de 20 países.

Até o momento, a Jalles fechou dois contratos de fornecimento de açúcar orgânico: o primeiro, com um produtor chinês de gengibre orgânico e, o segundo na área de varejo. Uma terceira entrega está ainda em negociação.

“São volumes pequenos, mas consideramos a China um ‘gigante adormecido’, com potencial enorme de crescimento no setor de açúcar. Se houver uma mudança nesse mercado, pode haver uma explosão [da demanda]”, avalia Penna. Trata-se de um mercado de nicho, diz, que oferece mais estabilidade e possibilidade de maior remuneração. Em grandes números, estima Penna, o mercado global de açúcar orgânico gira em torno de 300.000 toneladas por ano, algo como 0,1% a 0,2% de todo o consumo mundial de açúcar, previsto em 172.5 milhões de toneladas para o ciclo 2015/16 pela Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês).

O planejamento do grupo leva em conta a perspectiva de crescimento médio de 10% para o mercado de açúcar orgânico. “Temos crescido ano a ano, mas de forma planejada, pois a abertura de novas áreas está sujeita a períodos de quarentena (sem aplicações de produtos químicos) de dois anos, pelo padrão brasileiro, de três anos nos termos exigidos pela Europa e de quatro anos para os Estados Unidos”, detalha Penna.

A China tem respondido, nos últimos anos, por 9% a 10% do açúcar exportado pelo Brasil, afirma o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antônio de Pádua Rodrigues. Entre 2013 e 2014, as vendas brasileiras para aquele mercado saíram de 3.496 milhões para 2,281 milhões de toneladas, em queda de 34,7%, o que reduziu a participação chinesa de 12,9% para menos de 9,5%.

Mas as exportações reagiram neste ano, pelo menos em volume, crescendo 13,8%, para 1.574 milhão de toneladas no acumulado até agosto, representando 10,9% do total exportado pelo País. A expectativa de déficit entre a oferta e o consumo mundiais nas safras 2015/16 e 2016/17, acredita Pádua, tende a estimular um novo ciclo de exportações crescentes para o setor, estimuladas ainda pelo câmbio extremamente favorável para os exportadores. “A China é um grande importador de açúcar e já teve participação mais importante em nossas exportações”, acrescenta ele, projetando um cenário mais positivo para o mercado daqui para frente.

Valor Econômico