Adubo feito de carcaça de peixe é solução no Pará

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Moisés Lopes Rodrigues conquistou o 2º lugar do Prêmio Jovem Cientista, na categoria Ensino Médio (Foto: Arquivo pessoal)

Nascido em Brasília, o estudante Moisés Lopes Rodrigues mudou-se para o Pará aos 9 anos. Em sua nova cidade, Tucuruí, envolveu-se com a área de pesquisa e participou de feiras de ciência. Os desafios de sua região inspiraram o jovem a desenvolver o trabalho que conquistou o 2º lugar na categoria Ensino Médio do Prêmio Jovem Cientista: um adubo orgânico feito a partir de carcaças de peixe, que se revelou uma alternativa de baixo custo e fácil produção para o agricultor familiar.

A pesquisa de Moisés busca resolver dois problemas de uma só vez: o impacto ambiental gerado pelo acúmulo de resíduos de peixes e o uso de fertilizantes químicos na agricultura. A cidade, localizada no sudeste do Pará, tem a pesca como uma das principais atividades econômicas e sofre com o descarte das carcaças de peixe, que ficam na beira dos rios e geram mau cheiro. Diante do problema, Moisés e seu professor, Paulo Sérgio Melo das Chagas, tiveram a ideia de usar esses resíduos para produzir um adubo natural – como o solo da região é pobre em propriedades naturais, a utilização de fertilizantes químicos é elevada.

O primeiro passo foi a secagem dos resíduos de peixes. “Esse foi o nosso maior desafio, pois não tínhamos um equipamento moderno e foi preciso deixar o material exposto ao sol. O cheiro ficou bem forte”, afirma o estudante. As carcaças ficaram ao ar livre por cinco dias e, em seguida, passaram por um processo de desidratação. “Assamos as carcaças com galhos secos de árvores por duas horas. Por fim, trituramos e peneiramos a mistura, dando origem ao adubo”, diz.

Com o adubo pronto, era hora de testar. Foram escolhidas duas plantações de coentro e duas de alface: um grupo de cada vegetal recebeu o adubo de peixe e o outro foi fertilizado com esterco de curral curtido, muito utilizado pelos agricultores locais. “Observamos que, após 20 dias, as plantas que receberam o novo adubo cresceram muito mais do que as que não receberam. Verduras maiores têm poder de venda também maior, por isso o adubo ajuda o agricultor familiar”, diz. Além do tamanho, as hortaliças também cresceram mais rapidamente, diminuindo o tempo de colheita em oito a nove dias. Para o pequeno agricultor, este resultado garante uma maior rotação de culturas, além de elevar a lucratividade.

Moisés sempre teve vontade de escrever um projeto para concorrer ao Prêmio. Sua inscrição teve a contribuição do professor orientador do vencedor da última edição do Prêmio Jovem Cientista, o estudante paraense Edivan Pereira, que desenvolveu um filtro feito a partir de caroços de açaí. “Não conheço o Edivan pessoalmente ainda, mas depois da premiação conversei com ele pelas redes sociais. Minha inspiração veio do professor Gilberto Silva, orientador dele e de outros jovens pesquisadores de nossa região. Foi ele que me convidou para apresentar meu projeto em uma feira de Ciências regional pela primeira vez”, lembra.

De acordo com o estudante, seu trabalho pode ajudar desde a etapa da produção até o consumo final. “O agricultor terá um fertilizante de baixo custo e grande produtividade, e o consumidor terá acesso a uma hortaliça maior e cultivada sem agrotóxicos. A pesquisa ajuda a garantir ainda a segurança alimentar e nutricional de agricultores e consumidores”. “Tenho vontade de transformar meu estudo em um projeto social e expandi-lo para outras regiões”, diz.

Fonte: Época