Afinal quais foram os impactos do SWU na consciência coletiva a respeito da sustentabilidade?

O evento poderia  ser um divisor de águas, mas será lembrado apenas como mais um festival de música. E mal organizado. Starts With You – e eis que está acabando o potentoso festival musical que assumiu por nome uma equivocada frase em inglês (afinal, não começa com você, mas com todos nós: uma das diferenças da atual visão de mundo para a visão da sustentabilidade é justamente enxergar o todo, as correlações e corresponsabilidades).

Se o equívoco se restringisse a apenas o nome, poderíamos ter tido um exemplo concreto de como fazer entretenimento de forma sustentável. Mas SWU foi apenas mais um festival de música criado e executado a partir dos velhos paradigmas, que não levavam em conta o impacto da ação sobre o ambiente e sobre as pessoas. Pior: foi um festival muito mal organizado.

Como testemunharam vários participantes pelo Twitter, eis que, um festival supostamente dedicado à sustentabilidade:

1)    Não oferecia espaços para guardar bicicletas, apenas carros;

2)    Cobrou preços abusivos pelo estacionamento. O argumento usado  foi que esta seria uma forma de incentivar o uso do transporte coletivo. Se esta foi a intenção,  o festival deveria ter providenciado estratégias de locomoção pública mais eficientes;

3)     Além disso, o festival não negociou com as empresas de ônibus para que fossem colocados mais carros para a viagem até Itu;

4)    E além do além, também não forneceu transporte coletivo entre a fazenda onde ocorria o evento e a rodoviária de Itu, transformando a volta do primeiro dia de evento em um verdadeiro caos;

5)    Distribui copos plásticos junto com as latas de cerveja (que chegavam a custar R$ 8,00 cada) aumentando o volume do lixo produzido;

6)    E que, assim como não pensou em reduzir os itens a serem descartados, tampouco cuidou de oferecer latas de lixo em quantidade suficiente para dar conta do descarte gerado por 50 mil pessoas;

7)    não se deu ao trabalho de oferecer um menu diferenciado, de menor impacto ambiental, e repetiu o velho padrão de salgadinho / hambúrguer, a preços abusivos;

8)    As medidas de segurança do evento obrigaram milhares de participantes a descartar todos os alimentos levados, formando inacreditáveis pilhas de comida que não seriam aproveitadas. Além de ilegal, esta conduta demonstrou-se extremamente insustentável;

9)    Insistiu na política da desigualdade econômica, implantando uma pista VIP.

Como vários blogues de pessoas que presenciaram o evento testemunham, fica muito difícil passar adiante qualquer mensagem de sustentabilidade, quando ela não é praticada por quem a prega. De nada serviu colocar instalações com garrafas PET recicladas, e estandes de ONGs, se não houve na organização do evento, o cuidado para reduzir o lixo, as emissões de carbono, e a desigualdade social entre os participantes.

Entre feridos e desapontados, quem mais perdeu foram as empresas que se envolveram com esta ação. Pois a falta de consistência com o significado sustentabilidade foi claramente identificada pelos participantes e não prejudicou o conceito, que em si, permanece desejável.

A quem interessar possa: por trás do oportunismo travestido de sustentabilidade existe um publicitário famoso, chamado Eduardo Fischer, que atende a conta da Monsanto – aquela, das sementes transgênicas. E como twittou a jornalista @flaviadurante: “Só vou acreditar que o Eduardo Fischer se preocupa com a sustentabilidade quando a agência dele abrir mão da conta da Monsanto”.

Publicado originalmente por: www.revistasustentabilidade.com.br por Silvia Dias

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