Agricultura regenerativa e manejo biológico favorecem produção em grande escala

Técnicas inovadoras como as da agricultura regenerativa e a adoção de sistemas integrados podem garantir lavouras sustentáveis em larga escala. Até mesmo a produção de soja orgânica na agricultura tropical torna-se possível em grande escala com a adoção de novos modelos e ferramentas.

“O mundo biológico vai tomar conta da agricultura tropical”, disse Ricardo Bartholo, produtor de café orgânico certificado em Minas Gerais. Segundo ele, “investir em fábricas de adubo e defensivos biológicos nas fazendas pode efetivamente gerar competitividade. É um processo econômico, e o mercado está cada vez mais demandando produtos orgânicos.”

Bartholo participou esta semana da videoconferência “Soluções integradas e manejos sustentáveis que transformam a produção agrícola”, organizada pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), Centro de Inteligência em Orgânicos (CI Orgânicos) e a Faculdade de Ciências Agroambientais (Fagram). O debate foi coordenado pela diretora da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Sylvia Wachsner.

Novas práticas

“Nós conseguimos escalar o modelo de manejo biológico. Procuramos fazer uma agricultura de larga escala, com o mínimo uso de defensivos”, destacou na ocasião o engenheiro agrônomo Rogério Vian, presidente do GAAS e produtor rural, que tem conseguido colher grandes quantidades de soja certificada em Goiás apenas com técnicas da agricultura orgânica e sem o uso de produtos químicos.

 

O GAAS também atua na diminuição e na eliminação do uso de herbicidas na lavoura, a partir da experimentação de técnicas que utilizam o amendoim forrageiro, a grama riograndense, a polinização por abelhas, entre outras. “Toda a agricultura está migrando para o biológico”, afirmou Vian.

Cadeia de responsabilidade

“São práticas inclusivas, verdes e economicamente viáveis que devem ser divulgadas para combater a atual guerra de informações com os mercados externos e para vender melhor o produto brasileiro, que tem como suporte toda uma cadeia de responsabilidade”, enfatizou o diretor técnico da SNA, Márcio Sette Fortes, lembrando que o Brasil tem sido acusado, de forma equivocada, por supostas “práticas desleais” para obter a maximização da produção.

“A agricultura regenerativa chegou para ficar. Temos cerca de 22 milhões de hectares com plantio direto favorecendo os solos, e essas áreas conseguem capturar de 30 a 40 milhões de toneladas de carbono por ano.”

Fortes salientou ainda que, “cada vez que deixamos de lado as preocupações com o meio ambiente, com o bom uso da agricultura regenerativa, teremos um volume cada vez maior de terras com erosão e manejos inadequados, que atualmente causam perdas de US$ 16 bilhões ao País”.

Para o diretor da SNA, a maior parte dos produtores tem interesse na agricultura regenerativa, “por questões ambientais de preservação e também pelo impacto que um produto de qualidade superior pode ter nos mercados finais.” Segundo ele, grandes empresas pouco a pouco estão se direcionando para esse setor. “Isso já é uma realidade.”

Benefícios

Antonio Lodo, engenheiro agrônomo e consultor em agricultura sustentável da Inovar, falou sobre os benefícios do modelo biológico, destacando, entre eles, custos menores de produção; riscos mínimos de perda de investimentos; crescente equilíbrio do sistema produtivo a cada safra; independência do produtor em relação ao manejo e melhoria da qualidade do produto final.

“O envolvimento do produtor na busca por conhecimento e na contratação de profissionais com as competências técnicas necessárias, fazendo parcerias que agreguem valor ao negócio, é o grande diferencial do sucesso da aplicabilidade do novo modelo agrícola”, concluiu o especialista.

Fonte: CI Orgânicos

Equipe SNA