Alimentos orgânicos com preços cada vez mais competitivos

Chef Teresa Corção/ Foto:Guillermo Giansanti/O Globo

O que se faz em uma feira de orgânicos com R$ 50? Enche a despensa de duas pessoas, por um semana, como mostra a chef Teresa Corção, presidente do Instituto Maniva, em uma visita à feira da Praça Nossa Senhora da Paz, que acontece às terças, em Ipanema. A convite do GLOBO, a chef, que tem levantado a bandeira em defesa desses produtos, mostra como é possível encontrar itens a preços cada vez mais competitivos.

A cesta de Teresa leva mostarda roxa (R$ 2), espinafre (R$ 2), um dúzia de limão galego (R$ 5), meio quilo de cebola (R$ 3), um litro de leite ( R$ 6,50), 1 quilo de feijão (R$ 7) e outro de arroz agulha (R$ 7,50), erva cidreira (R$1,50), alface romana (R$ 1,50), um molho de cenoura (R$ 3) e outro de beterraba (R$ 3), rúcula (R$ 2), 1/2 quilo de maçã (R$ 4), 1/2 dúzia de ovos (R$ 2,50), taioba (R$ 2) e uma lima, para fechar conta, por R$0,50.

– Só de ver o colorido já dá para ver o valor. Aqui tem muita clorofila, ferro, vitamina C, vitamina K, proteína animal, carboidratos e frutas – diz, enquanto observa a cesta ao final das compras.

A grande diferença, como ela aponta, é que absolutamente todas as partes das hortaliças e legumes podem – e devem – ser aproveitadas na hora das refeições.

– Diferente de um produto tradicional, em que o alimento está completamente tomado por agrotóxicos, estes são totalmente nutritivos – explica, citando talos de salsa e espinafre, como exemplo, além da folhagem da cenoura que pode virar um molho pesto.

Outro ponto destacado por ela é a garantia de frescor dos alimentos. É o caso das hortaliças vendidas na barraca de Fátima Anselmo. A produtora de Areal colhe os vegetais no fim da tarde anterior à feira e, às 3h, segue para o Rio para comercializá-los.

– As pessoas cuidam de seus produtos como se fossem filhos. Elas têm orgulho de mostrar o que acabaram de colher.

Na concepção de Teresa, além de ser um hábito saudável, dar preferência a esse tipo de produto, não deixa de ser uma ação de cidadania. Isso porque, os orgânicos contam com selos que garantem a não utilização de substâncias químicas e até mesmo mão de obra infantil. Além disso, por conta de serem, muitas vezes, oriundos da agricultura familiar, há menos emissão de gás carbônico no transporte, já que esses alimentos vêm de regiões próximas à cidade.

Preços competitivos

Há pouco mais de dois anos, há única feira nesse perfil existente na cidade era a da Glória. Hoje, elas já acontecem em seis pontos da cidade, formando o Circuito Carioca (veja os locais abaixo), que envolve 110 produtores associados e movimenta cerca de 2,5 milhões por ano. Gerente de três feiras do grupo, Carlos Alberto Serafini trabalha com agricultura orgânica desde 1988. Segundo ele, o sucesso desse comércio já representa uma transformação social no campo, em que o ramo voltou a ser atrativo para muitos trabalhadores.

– Além disso, visto a estabilidade trazida pelo circuito, está havendo uma migração de produtores convencionais para o orgânico.

Já para o consumidor, a feira guarda uma vantagem extra, segundo Serafini. Há um acordo com a Secretaria Especial de Desenvolvimento Econômico e Solidário em que as feiras precisam atuar dentro dos princípios do comércio justo. Dessa forma, há um compromisso da parte dos produtores em vender os alimentos com preços até 40% mais baratos que os similares orgânicos encontrados nos supermercados da região.

Circuito

Bairro Peixoto – Praça Edmundo Bittencourt, aos sábados, de 8h às 13h

Glória – Rua do Russel, aos sábados, de 7h às 13h

Ipanema – Praça Nossa Senhora da Paz, às terças-feiras, das 7h às 13h

Jardim Botânico – Praça da Igreja São José da Lagoa, aos sábados, das 7h às 13h

Leblon – Praça Antero de Quental, às quintas-feiras, das 7h às 13h

Tijuca – Praça Afonso Pena, às quintas-feiras, das 7h às 13h

Fonte: O Globo

OUTROS LINKS REFERENTES AO ASSUNTO:

CIRCUITO CARIOCA DE FEIRAS ORGÂNICAS

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