Congresso Agribusiness da SNA: Roberto Rodrigues

Por Dylan Della Pasqua, do Rio de Janeiro/RJ, Agencia Safras.

SAFRAS (24) – A tão esperada COP-15 – 15a Conferência das Partes, da ONU, que será realizada entre os dias 7 e 18 de dezembro, em Copenhague, na Dinamarca, não deve trazer resultados imediatos para o compromisso global de redução na emissão de gases de efeito estufa. A opinião foi manifestada há pouco pelo ex-ministro da Agricultura e atual coordenador da FG/Agro, Roberto Rodrigues, durante o 11o Congresso de Agribusiness, organizado pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA).

“Eu acho que ao final das discussões teremos um belo documento, mas cada país vai fazer o que bem entender, dando prioridade aos interesses econômicos locais e descartando o interesse global”, frisou Rodrigues, que não escondeu seu ceticismo em relação à COP-15. O ex-ministro acredita que passada a crise financeira mundial, o mundo entra em um novo período, que ainda não se definiu.

“A expectativa era de que o final da crise trouxesse uma nova ordem econômica, com maior regulação do sistema financeiro. Isso não ocorreu. A crise gerou um maior protecionismo, que contraria a globalidade econômica”, explicou. Outra consequência da crise seria a perda de importância das organizações multilaterais, caso da ONU, da FAO, da OMC e do G-20. Em função dessa perda, Rodrigues não aposta suas fichas no resultado da COP-15.

“O que vem pela frente ainda é uma incógnita. A economia verde, a sustentabilidade…O velho modelo das organizações multilaterais está morrendo e vem vindo um modelo novo, que ainda não nasceu”, disse. Para Rodrigues, o Brasil tem um papel importante nesse cenário e que é um período em que há a necessidade de se assumir responsabilidades. “Temos a liderança em agroenergia. Trabalhamos com tecnologia sustentável e temos a Amazônia. Este compromisso deve ser assumido também pelo agronegócio”, destacou.

Ceticismo semelhante em relação à COP-15 foi compartilhado pelo outro palestrante do dia, o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UNB), Eduardo Viola. “Não haverá acordo em Copenhague”, sentenciou. Para o professor, a COP-15 resultará em uma declaração política, adiando o acordo para 2010. “Das três nações decisivas para um acordo – China, Estados Unidos e União Europeia -, apenas a terceira tem uma posição”, apontou. “A indefinição americana trava a posição chinesa. O acordo Estados Unidos-China é decisivo para que alguma conclusão seja obtida”, finalizou.

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