Conhecimento e união são desafios para as cooperativas da agricultura familiar

Trabalhar pelo coletivo e adquirir conhecimento foram algumas das metas apontadas por representantes de cooperativas brasileiras para que o setor possa evoluir no aspecto operacional e garantir maior eficiência e retorno.

O assunto foi debatido durante o webinar “A Força do Cooperativismo na Agricultura Familiar”. Organizado pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Centro de Inteligência em Orgânicos (CI Orgânicos) e OrganicsNet, o encontro virtual foi coordenado pela diretora da SNA, Sylvia Wachsner.

“É muito difícil trabalhar o coletivo, pois há momentos onde temos políticas individuais e o agricultor acha que não precisa mais daquele grupo, e há momentos em que o coletivo está fortalecido porque conta com políticas que demandam a existência de um grupo organizado”, disse Margarete Teixeira, da Unacoop, instituição que reúne associações e cooperativas de produtores rurais.

Segundo ela, para se criar uma cooperativa, é necessário, antes de tudo, “ensinar e esclarecer os cooperados a respeito de suas responsabilidades, para eles tenham consciência da importância e da seriedade em fazer parte desse coletivo”.

Margarete afirmou que, hoje em dia, “é preferível ter um número pequeno de associados conscientes das responsabilidades, do que uma cooperativa com muita participação, mas pouco esclarecida. Hoje em dia não temos muito essa conscientização. Precisamos criar grupos coesos”, ressaltou.

Qualificação

“As pessoas precisam de conhecimento. A assistência técnica, por exemplo, é uma coisa complicada. Quantos técnicos tem hoje conhecimento para dar suporte a uma cooperativa?”, questionou Ernesto Kasper, sócio-fundador da Ecocitrus, chamando a atenção para a necessidade de mão de obra qualificada.

O representante afirmou ainda que os projetos de políticas públicas no cooperativismo precisam ser trabalhados de acordo com as peculiaridades de cada região ou localidade. “Isso é um desafio para o setor”, disse.

Gerenciamento

Segundo os participantes do webinar, o conhecimento também pode auxiliar na operacionalização das cooperativas.

“Aos poucos, passamos a entender de legislação e questões tributárias, até porque muitos contadores não aceitam fazer contabilidade de cooperativa”, destacou Ricardo Fritsch, presidente da Coopernatural. “Hoje gastamos 30% em logística, impostos e operações internas”.

“Levar a contabilidade para dentro da cooperativa melhora o gerenciamento tributário. Isso é um desafio para as cooperativas de hoje”, salientou Denise dos Santos, presidente da Coopercuc.

Comercialização

Na visão dos participantes do webinar, melhorar a comercialização em tempos de pandemia também se tornou um desafio.

Para Fritsch, apesar da queda nas vendas, a Coopernatural consegue uma boa gestão em logística. “Entregamos num prazo sempre viável, pagamos o frete e trabalhamos com várias transportadoras”.

Já para a Coopercuc , a realização de parcerias com plataformas de vendas online, entre elas a Ifood, proporcionou certa estabilidade diante da crise.

A cooperativa, criada na Bahia, comercializa em alguns estados do Nordeste e do Sudeste, e também para a Europa, produtos à base de umbu, uma fruta nativa do sertão. Motivada pelo isolamento social, a Coopercuc acaba de criar uma plataforma online para vender os produtos dos cooperados.

Supermercados

Denise disse que na Bahia o governo investe no setor cooperativista e que as vendas para os supermercados são favorecidas pela diversidade de produtos e pela união das cooperativas.

“Esses produtos são negociados em um pacote para as redes”, informou a especialista, acrescentando que a Coopercuc adota uma política de “ganha-ganha”, que valoriza o comportamento cooperativo junto a produtores e associados.

Já Margarete, da Unacoop, afirmou que no Estado do Rio, com a pandemia, os supermercados se tornaram muito exigentes com agricultura familiar, e isso, segundo ela, isso vem prejudicando o trabalho dos produtores.

Tendência

Por fim, os especialistas concordaram que as possibilidades oferecidas pela tecnologia para as atividades de “home office”, verificadas principalmente em razão da pandemia, se revelaram uma grande tendência mundial, e irá fazer com que muitas pessoas saiam dos grandes centros para buscar uma qualidade de vida melhor no meio rural.

Fonte: CI Orgânicos, equipe SNA