Economia verde: de quantos planetas vamos precisar?

Mesa-redonda intitulada: “Orgânicos, Indicação Geográfica e Comércio Justo: Valores Agregados da Economia Verde, reuniu, durante o Green Rio, os debatedores: Sylvia Wachsner (Coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos); Fátima Rocha (Presidente da Mega Matte/ABF); Ming Liu (Coordenador do Projeto Organics Brasil); os quais discutiram questões acerca dessa nova forma econômica.

O moderador do debate, Alexandre Harkaly (Diretor da IBD Certificações), abriu os trabalhos falando sobre a declaração dos direitos universais dos seres humanos, a qual assegura que todos têm direito a um mínimo, e esse mínimo precisa ser declarado e seu acesso assegurado pela sociedade e pelo planeta. Daí surge a pergunta: “qual é o máximo socialmente viável, justo, ambientalmente correto e economicamente sustentável?De quantos planetas vamos precisar? Esse consumo máximo, esse máximo de depredações do planeta terra precisa ser monitorado, trabalhado e adaptado à uma nova realidade da Economia Verde”. Alexandre afirmou também que enquanto estivermos situados dentro do capitalismo, vamos ter sérios problemas políticos, éticos e morais. Por fim, ele provocou os palestrantes à definir o conceito de Economia Verde e estabelecer metas “para colocar o planeta nos trilhos”.

Sylvia Wachsner, do Centro de Inteligência em Orgânicos da SNA (Sociedade Nacional de Agricultura), abordou a questão considerando que a expressão Economia Verde está em construção; do seu ponto de vista, esta (Economia Verde) se apresenta como sinônimo de Economia Limpa e Sustentável. Para ela, a cadeia de valor alimentar, que se estende do produtor ao varejista, deve garantir que todos ganhem; a chamada economia do Win-Win.

Veja apresentação: Apresentacao-CI_Organicos-SNA-Green_Rio-19

A Coordenadora do projeto CI Orgânicos pontua que novas cadeias devem ser produzidas e além disso, parcerias com o setor, público e privado, estabelecidas. “Os produtores orgânicos e a produção orgânica são para os consumidores e para o mundo a porta de acesso aos alimentos e a nutrição”, disse. Ainda segundo Sylvia, os agricultores familiares são a peça chave para a construção de um planeta sustentável, tendo em vista que a agricultura orgânica constitui boas práticas agrícolas. Ela criticou também a falta de consciência da maioria das pessoas com relação ao consumo de água: “água e alimentos vêem do campo, da parte rural, falta às pessoas consciência de que fazemos parte do mesmo ambiente, e a água é uma questão preocupante, mesmo no Brasil com tantos rios; os alimentos orgânicos e a agricultura orgânica precisam de água para existir”.


Sylvia Wachsner fala sobre o CI Orgânicos

A respeito da certificação dos orgânicos, Sylvia Wachsner apontou, para a promoção da Sustentabilidade Social, a DAP (Declaração de Aptidão ao Pronaf), instrumento jurídico que permite emitir uma nota fiscal, o que significa que o agricultor está legalizado, como uma ferramenta da economia municipal, a qual inclui os pequenos produtores na sociedade, fortalece as cooperativas e constrói relacionamentos eticamente justos e sustentáveis. “A Certificação e o Comércio Justo dão base e conhecimento de produtividade aos agricultores”, frisou Sylvia que ainda assinalou a importância certificação para a transparência e rastreabilidade dos produtos orgânicos. A coordenadora do projeto CI Orgânicos finalizou sua apresentação debatendo a questão das cooperativas, as quais ela enxerga como meio de agregar valor a cadeia produtiva, considerando o fato de o produtor estar mais próximo do gestor.

Fonte: Sociedade Nacional de Agricultura

Share your thoughts