Embrapa comprova a força do Nim

Nim mostra-se eficaz contra fusariose da pimenta-do-reino:

A Embrapa Amazônia Oriental (Belém-PA) lança, no próximo dia 22, uma tecnologia sem similar no mundo e de grande impacto para a pipericultura nacional. É a metodologia para controle alternativo da fusariose da pimenteira-do-reino (Piper nigrum L.) ainda na fase de produção de mudas, de uma forma nunca antes utilizada: com folhas de nim indiano incorporadas ao solo.

A mistura de folhas de nim (Azadirachta indica A. Juss.) no solo onde as mudas crescem – permitindo que sejam transplantadas para o campo totalmente livres da fusariose – combate um dos mais antigos, maiores e graves entraves desse setor produtivo no País. A doença, também conhecida por podridão de raízes, dizima pimentais e causa prejuízos que não ocorrem no exterior, pois em outros países produtores está sob controle.

Presente em quase todos os cultivos, há 50 anos a doença atormenta os pipericultores, especialmente os paraenses por serem os maiores produtores da especiaria  no País. O Pará garante aproximadamente 80 por cento da produção nacional e a pimenta-do-reino é o primeiro produto agrícola na lista das exportações do Estado. São também produtores o Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. No total, em 2010, a produção brasileira foi cerca de 50 mil toneladas de pimenta seca.

A doença é causada por um fungo presente no solo, o Fusarium solani f. sp. piperis. Não há cultivares comerciais resistentes nem tratamento químico eficaz contra o fusarium. Isso potencializa ainda mais os benefícios da nova tecnologia, especialmente entre agricultores familiares e pequenos produtores, pois é de fácil aplicação e baixo custo.

O controle alternativo da fusariose em mudas permite a implantação de novos pimentais com material propagativo sadio, retarda o aparecimento natural da doença no campo e diminui sua disseminação para novas áreas de plantio.

Uso do nim


“O uso de folhas de nim indiano é cem por cento eficaz no controle da fusariose quando aplicadas na formação das mudas”, afirma a responsável pela pesquisa, a fitopatologista Celia Regina Tremacoldi, baseada nos resultados dos experimentos.

A pesquisadora revela que a vida útil de um pimental pode ser superior a 12 anos, mas em áreas de fusariose não tem passado de cinco ou seis anos. “Se as mudas forem transplantadas doentes, esse tempo diminui mais ainda: já no primeiro ou no máximo segundo ano o produtor perde metade do plantio”, alerta.

O benefício do nim indiano não se restringe a livrar as mudas do ataque do fungo responsável pela fusariose. Além de proteger contra a doença, as folhas do nim fazem com que as mudas se desenvolvam melhor e mais fortes.

“O controle total da doença nas mudas já ocorre com 10g/l de folhas de nim frescas ou secas trituradas incorporadas no solo. Mas recomenda-se a incorporação de 50g/l por promover, além da proteção à doença, um melhor desenvolvimento das mudas”, garante Célia Tremacoldi. Os resultados da pesquisa estão publicados no Comunicado Técnico “Tecnologia para o controle da podridão de raízes  em mudas de pimenteira-do-reino”.

O uso do nim indiano no controle de pragas, especialmente insetos nocivos, tem sido mais estudado e praticado do que no controle de doenças de plantas, para o qual “ainda há poucos resultados disponíveis, concentrados mais na última década”, informa a pesquisadora, que dessa forma se tornou pioneira no uso do nim associado a pimenteira-do-reino para controlar a podridão das raízes nas mudas de Piper nigrum L.

Avanços

O nim foi introduzido na Embrapa Amazônia Oriental pelo pesquisador Armando Kouzo Kato, já falecido, que trouxe a espécie florestal da República Dominicana para realizar pesquisas de tutor vivo da pimenta-do-reino. Com esse fim, ele introduziu o nim na Transamazônica em 1999, começando com apenas oito agricultores.

“Hoje temos nim à vontade na região e agora, devido a essa nova tecnologia, podemos alavancar novamente o plantio da pimenta-do-reino na Transamazônica”, avalia, entusiasmado, o pesquisador Pedro Celestino Filho, supervisor do Núcleo de Apoio a Pesquisa e Transferência de Tecnologia (Napt) da Embrapa Amazônia Oriental sediado em Altamira (PA).

Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

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