Fécula de mandioca pode substituir isopor em bandejas de alimentos

Um dos maiores desafios para o mercado, consumidores e governos, neste início de século XXI, é solucionar a questão que envolve a alarmante produção diária de resíduos sólidos. No final deste mês, o Brasil começará a assistir a chegada de inovadoras embalagens biodegradáveis ao mercado, feitas a partir da fécula da mandioca. Elas poderão substituir as usuais bandejas e recipientes de isopor e plástico, que acondicionam alimentos e outros produtos encontrados em supermercados, padarias e comércio em geral.

A história do desenvolvimento desse produto absolutamente pioneiro e inovador no País, e talvez no mundo, foi contada pelo empresário e engenheiro Cláudio Rocha Bastos, autor da ousada e feliz iniciativa, no evento Agronegócios e Inovação, promovido até esta sexta-feira (7) pelo Sebrae Nacional em Brasília. Ele é diretor e fundador da Cbpak Tecnologia, uma pequena indústria criada em 2002, sediada no município paulista de São Carlos.

A preocupação com o volume de resíduos sólidos, produzidos e descartados pela humanidade diariamente em aterros sanitários, lixões, e até descuidadamente no meio ambiente, moveu Bastos. Nos últimos anos, a busca por tecnologias para produzir embalagens biodegradáveis, a serem colocadas no mercado em escala industrial, se tornou uma saudável obsessão. “Tinha a visão de que alguma coisa tinha que ser feita para reduzir os resíduos sólidos no mundo”, disse Bastos.

Em sua palestra, na quarta-feira (5), o empresário contou toda a trajetória percorrida, nos últimos sete anos, até o momento atual, véspera da entrada do inédito produto da Cbpak Tecnologia no mercado nacional. “Para inovar, não se pode perder o foco”, aconselhou Bastos. Ele revelou as dificuldades e obstáculos vencidos para chegar ao produto final, seu patenteamento e certificação do Cetea (Centro de Tecnologia em Embalagens). “ Meu produto é uma solução biodegradável para embalagens”, resumiu.

A equipe da Cbpak é composta por 20 funcionários. Até o final do ano, deverá saltar para 70 ou 100 colaboradores, estima o empresário. “Possuímos equipe própria de Desenvolvimento e Pesquisa (P&D)”, ressaltou. Os primeiros lotes de bandejas biodegradáveis, em vários formatos, vão atender o setor de alimentos.

O segundo setor a ser atendido pela Cbpak deverá ser o de reflorestamento, plantas e jardinagem. “Vamos produzir tubetes e vasos”, avisou. Essas embalagens que vão acondicionar mudas, por exemplo, poderão ser plantadas literalmente no solo, sem necessidade de serem retiradas, como ocorre com os sacos e vasos plásticos. “Não temos ainda escala industrial, mas nosso produto é competitivo em preço”, informou.

A tendência é de que o preço baixe na medida em que as vendas aumentem. As fecularias de mandioca são as fornecedoras da Cbpak. No plano de negócios da empresa, está prevista a instalação de unidades de produção próximas a centros industriais, atacadistas, entre outros. “Trata-se de um produto leve e não queremos depender de transporte”, observou. Como a mandioca é matéria-prima abundante em todo o território nacional, Bastos prevê que será possível montar unidades de produção das embalagens biodegradáveis em diferentes regiões do País.

Fonte: http://www.rts.org.br/noticias/destaque-1/fecula-de-mandioca-pode-substituir-isopor-em-bandejas-de-alimentos/

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