Francês deixa carreira de executivo para investir em alimentos orgânicos

A cenoura orgânica é um dos produtos que podem ter outras variações. De acordo com a coordenadora do CI Orgânicos, Sylvia Wachsner, “os produtores poderiam oferecer, além da tradicional cenoura laranja, outras coloridas. As mesmas têm tamanhos diferenciados das tradicionais, mais magras ou menores. O sabor varia de cor em cor, e algumas são mesmo mais doces”. Foto: CI Orgânicos

 

A Fazenda Santa Adelaide Orgânicos, que nasceu em 2010, fundada pelo francês David Ralitera, busca oferecer uma grande variedade de alimentos frescos e da estação. “Eu só vendo, só entrego, o que temos na horta para colher. Só temos produtos da estação”, disse Ralitera. “Algumas plantas precisam ser cultivadas e colhidas na época certa. O brócolis é um bom exemplo. É um vegetal de inverno, gosta de frio e pouca luz.”

Ralitera  deixou uma bem-sucedida carreira como executivo para começar o negócio. “Eu comecei a fazenda em 2010, mas só deixei o meu emprego em 2012. Fiquei dois anos trabalhando como um hobby. Depois, juntei o dinheiro que consegui com a minha rescisão e transformei a Santa Adelaide em minha principal fonte de renda”, disse Ralitera, que investiu R$ 200 mil para abrir o negócio.

A empresa fica no município de Morungaba, interior de São Paulo, na divisa com a cidade de Bragança Paulista. Ralitera conta com 25 funcionários para produzir e entregar 25 toneladas de mercadoria por mês.

A proposta de empresa gira em torno de alimentos orgânicos, mas o empreendedor é claro: “Só um selo dizendo que é orgânico não é o bastante”. A Fazenda Santa Adelaide procura responder três pontos para se considerar um alimento orgânico: É possível identificar a origem do produto? É possível conhecer o local de produção e armazenagem? É um negócio sustentável?

Para o francês, empresas de alimentos orgânicos precisam trabalhar com a rastreabilidade dos produtos, uma total transparência em toda a cadeia produtiva e devem atuar de forma sustentável.

A empresa não precisa ser apenas sustentável da forma mais conhecida, mas também deve se sustentar como negócio. O empreendedor vê, no mercado de orgânicos, um fenômeno parecido com o que aconteceu com a cerveja. “Estamos lidando com um público cada vez mais questionador. Ficaram sabendo que as principais cervejas brasileiras tinham ingredientes que não são de uma cerveja tradicional. Depois disso começaram a chegar cervejas importadas e cervejarias artesanais. Esse movimento chegou nas comidas. Vemos isso com queijos e vegetais atualmente”, disse o francês.

A empresa atua inspirada no sistema “farm to table” (da fazenda para a mesa, em tradução livre) ou “da terra ao prato”. A ideia é oferecer os alimentos diretamente do produtor para a mesa dos clientes e oferece entregas semanais de cestas médias e grandes com os produtos da estação.  A fazenda também vende os seus produtos em uma feira livre na Rua Curitiba, na região do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, aos sábados. Além disso, os produtos podem ser comprados por restaurantes ou supermercados.

O cardápio de produtos da Fazenda Santa Adelaide oferece três linhas diferentes. Tem os produtos tradicionais e mais conhecidos. Existe uma segunda de linha de “produtos esquecidos”. “Em época de cenoura, temos quatro, cinco, tipos diferentes. Cada legume tem vários primos e nós oferecemos essa variedade de produtos esquecidos”. A última linha engloba as plantas nativas da Mata Atlântica, como a mandioca, o inhame, a acerola, entre outros.

Fonte: Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios