Gestão empresarial com padrões ESG promove diferenciação no mercado

Rizoma Agro, imagem site empresa.

A adoção de padrões ambientais, sustentáveis e de governança (ESG, na sigla em inglês) permite que empresas de vários setores, incluindo as do agro, ganhem diferenciação no mercado. No entanto, essa abordagem ainda depende de instrumentos que possam medir e validar seus resultados.

A afirmação é da diretora da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Sylvia Wachsner, que participou, como palestrante, na última semana, da BioBrazil Fair em São Paulo. Na ocasião, ela abordou o tema “ESG, Agricultura Regenerativa e Construção de Mercados de Carbono”, durante debate organizado pela Folio Orgânicos.

“Padrões de medição e validação nacionais e internacionais podem permitir comparações entre as práticas de sustentabilidade realizadas pelos empreendimentos. Internamente as empresas devem construir os processos internos de avaliação e sistemas que levem para a construção do seu relatório ESG”, explicou Sylvia.

Entre as principais vantagens da implementação dos padrões ESG está a agregação de valor. “Empresas com maior índice de ESG têm menor custo de capital”, disse a diretora da SNA, ao reforçar as constatações do professor George Serafeim, da Universidade de Harvard . “Além disso, geram impacto positivo na sociedade e melhoram o relacionamento com clientes, fornecedores e comunidades”.

“O cliente está no centro das atenções”, destacou Sylvia. “Há também uma preocupação com inovação e produtos e serviços de melhor qualidade. As altas pontuações em ESG geram aumento na eficiência operacional, além de expansão para novos mercados”.

Recomendações

No entanto, observou a especialista, para que haja diferenciação de mercado a partir das práticas ESG, é preciso que o empreendedor leve em consideração alguns aspectos como as necessidades e exigências dos consumidores; o tipo de estratégia e o modelo de negócio a ser adotado; a análise de investimentos, custos e retorno; como ter credibilidade e fugir do “greenwashing”; conhecer os propósitos das fintechs e do setor financeiro e implementar parcerias”.

Novo cenário

Com relação à agricultura regenerativa e de baixo carbono, outro ponto da palestra, Sylvia citou exemplos de casos bem sucedidos no setor orgânico e falou sobre os padrões que devem ser comtemplados para a obtenção de certificações.

“Em razão das mudanças climáticas, é preciso que os produtores repensem seu modo de produção, adotando uma visão em longo prazo. Modificar a maneira tradicional de produzir, diminui, durante um tempo, a produtividade”, afirmou a diretora da SNA, chamando a atenção para o surgimento de um  novo cenário.

“Hoje existe uma busca maior por insumos biológicos, sementes orgânicas, cultivares mais sadios, pesquisa e assistência técnica. Além disso, o pagamento ao produtor por serviços ecossistêmicos gera um potencial para que se obtenha preços premium no mercado”.

Compensação

Por outro lado, observou Sylvia, “também é preciso pensar que tipo de compensação as traders, empresas varejistas e setor público poderiam oferecer aos produtores, em razão da perda de renda e produtividade durante seu período de conversão da atividade tradicional para a regenerativa”.

“Quem pagará a conta por um volume maior de trabalho, pelas certificações e pela construção de sistemas de rastreabilidade transparentes em toda a cadeia?”, questionou a especialista.

Em construção

Ainda durante a palestra, Sylvia abordou a estruturação dos mercados de carbono diante da necessidade de produzir alimentos sadios e equilibrar a relação entre mudanças climáticas e segurança alimentar.

“É preciso descarbonizar ao longo de toda a cadeia produtiva, desde a origem à industrialização e distribuição. No entanto, existe ainda o risco de as empresas começarem a implementar padrões sustentáveis só para atender os investidores, deixando de se conectar com os reais propósitos dessa estratégia”.

Sylvia acrescentou que é necessário definir o papel dos produtores convencionais e orgânicos neste mercado em construção, avaliar o custo de novas tecnologias para medir a captura de carbono, estruturar parâmetros para  agregação de valor e implementar ações e ferramentas que possam integrar os agricultores familiares e os pequenos produtores a essa nova realidade.

Fonte: CI Orgânicos

Equipe SNA