Ibiúna e a produção orgânica

fonte: jornal Estado de São Paulo

O produtor Geraldo Magela é um dos que levam ao extremo os cuidados com o meio ambiente. Vista de longe, a área de 5 mil metros quadrados da horta parece um matagal. Só após transpor a cerca viva que circunda os canteiros é possível observar que a área está cultivada com radichio (espécie de chicória italiana), couve-manteiga, catalônia e salsinha. As plantas ocupam uma parte limpa, no meio do canteiro, cercada por mato e capim.

Magela, um ex-bibliotecário formado pela Universidade de São Paulo, que há 25 anos deixou a capital para viver no “meio do mato”, diz que segue a linha do quanto mais natural, melhor. “Não uso trator, nem máquinas, apenas uma roçadeira para reduzir a altura do mato.”

A camada de material verde evita a erosão e mantém a terra úmida, reduzindo a evaporação. Quando chove, o mato impede que os nutrientes sejam carreados pela enxurrada. A horta é irrigada por microaspersão, sistema mais econômico. Enquanto um bico de aspersão consome 3.500 litros de água por hora, o micro gasta apenas 200 litros. Em outros 5 mil metros da propriedade, ele mantém uma produção de cana e capim para alimentar cavalos e galinhas que, por sua vez, fornecem esterco para a horta.

“Na compostagem, incluo as folhas e restos da roçada.”

Magela cultiva também especiarias, como alecrim, manjerona e basílico. Ele foi um dos pioneiros em horticultura orgânica no município. Sua produção é disputada pela clientela. “Só não vendo mais porque a quantidade é limitada.” O produtor vive da renda do sítio.

Magela faz parte da Associação de Pequenos Produtores Orgânicos de Ibiúna (Appoi), com oito associados. A entidade mantém uma empresa para a venda dos produtos, tanto a produção própria quanto a adquirida de outros produtores. Até o início do ano passado, a associação abastecia 11 lojas de uma grande rede varejista. “Tomamos uma decisão difícil, de abrir mão do nosso principal cliente para atender o pequeno varejista e o consumidor final. Foi uma decisão acertada.”

A principal vantagem da troca foi tornar a relação comercial mais justa. Nas grandes redes, segundo ele, o produtor arca com descontos, devoluções, quebras, burocracia e demora para receber. Já na venda direta, se estabelece uma relação pessoal com o consumidor, que dá palpites sobre os produtos.

Veja a matéria completa: Estadão

Share your thoughts