Jundiaí: orgânicos na merenda escolar

Município do interior de São Paulo prevê o aumento da área de plantio do projeto Vale Verde, desenvolvido desde 1997. A iniciativa é reconhecida nacionalmente porque toda a produção é isenta da utilização de agrotóxicos e distribuída nas 110 escolas da rede municipal de ensino, e outras 38 do Estado.

Agora o projeto irá ganhar estruturas de “packing house” (processamento e armazenamento) para garantir a disponibilidade de produtos orgânicos na merenda das escolas municipais durante o ano inteiro. Esse foi um dos resultados da visita do prefeito de Jundiaí, Pedro Bigardi, à Etec Best (Escola Técnica Estadual Benedito Storani), parceira do projeto.

Anfitrionada pelo diretor da escola, Eduardo Alvarez, a visita contou também com a presença do secretário de Agricultura, Abastecimento e Turismo Rural, Marcos Brunholi, e do diretor de merenda escolar da Secretaria de Educação, Maurício Romanatto.

Pedro Bigardi apreciando cultivo de morango orgânico/ Foto: Paulo Grégio

Com 128 hectares de área total, a Etec Best abriga o projeto que produz mensalmente cerca de 2 toneladas de beterraba, 2 toneladas de cenoura, 5 mil pés de alface, 5 mil pés de chicória, 1,5 mil maços de cheiro verde, 1,5 mil pés de couve e outros, como 400 pés de almeirão, 400 pés de catalonha e até 100 quilos de rabanete, quiabo e outras raridades como mostarda. De acordo com o agrônomo Hamilton Bernucci, a área passou de 15 mil m² para 25 mil m² sem ampliação do grupo de trabalho. “Ainda bem que vão rever isso. Estamos assumindo também a hidroponia e algumas estufas”, diz.

O prefeito experimentou e aprovou um morango orgânico da espécie “osso grande”, que até a professora Suzana Quintanilha admitiu ter tido dúvidas sobre a viabilidade. “É uma grande satisfação encontrar até morangos produzidos sem agrotóxicos”, elogiou o prefeito.

O diretor de merenda, Maurício Romanatto, afirma que a intenção do setor é passar de 43% para 100% o volume de hortifrutigranjeiros usados na merenda com origem no projeto Vale Verde. Para isso, o aproveitamento máximo dos produtos é previsto com o uso do processamento, como em compotas, e também com o armazenamento na sombra ou em ambientes refrigerados.

Além da agropecuária, a escola tem ainda o curso de Nutrição e Dietética com laboratórios nessa área. Em uma das salas visitadas, estudantes promoviam a retirada de corantes de diversos tipos de alimentos como cenoura ou urucum.

E outras parcerias também serão estudadas com a escola que está construindo a sede do primeiro curso técnico de Viticultura e Enologia do Centro Paulo Souza.

Novidades
Outras novidades podem surgir a médio prazo. O secretário Marcos Brunholi, da Agricultura, reforça o objetivo de colocar mais frutas de produtores jundiaienses dentro das escolas municipais. “Vamos estimular associações e cooperativas nesse sentido, inclusive contando com a parceria da escola técnica”, comenta.

Um desses produtos locais que estão no radar do governo é o suco de uva, que em duas vezes semanais usaria 40 mil litros para toda a rede. “Mas é preciso muita calma, começar com um projeto piloto”, explica o prefeito, que visitou também o local das obras do futuro curso de viticultura, onde também devem surgir neste ano um ginásio poliesportivo e uma loja de produtos turísticos da cidade. “Temos ainda o projeto de uma trilha, aproveitando a proximidade que temos com a Serra do Japi”, adianta Alvarez, que destacou também a importância da unidade vizinha do IAC (Instituto Agronômico de Campinas).

O prefeito observou ainda que a produção de alimentos saudáveis na escola, além da saúde dos estudantes, beneficia também o meio ambiente ao funcionar na conservação do entorno da serra.

Fonte: Prefeitura de Jundiaí

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