Marca de alimentos saudáveis inspira com ações ecológicas

 

Nos últimos 30 anos, a Jasmine Alimentos tornou-se referência no segmento da alimentação saudável no mercado brasileiro, produzindo alimentos integrais, orgânicos, sem glúten e zero açúcar. O compromisso da empresa na promoção de uma vida equilibrada se estendeu às práticas ambientais inseridas em seu ciclo produtivo.

A preocupação com a sustentabilidade e a – consideravelmente nova – expressão “eco ansiedade”, que revela a preocupação da sociedade pela utilização consciente dos recursos naturais do planeta, vieram para ficar.

O Euromonitor International, empresa global que dita as tendências de consumo, listou os 10 principais comportamentos dos consumidores em 2022 e encabeçando as primeiras posições do ranking estão a preocupação dos consumidores em adquirir produtos com certificação de origem local, priorizando os pequenos produtores, bem como o ativismo ambiental visando à economia “net zero”. No caso das indústrias alimentícias, isso pode ser alcançado por meio da chamada Gastronomia Sustentável.

“A gastronomia sustentável é um conjunto amplo de práticas que promovem melhorias não só na qualidade de vida das pessoas, mas, também, trazem benefícios ao meio ambiente”, pontua. Esse movimento compreende toda a cadeia produtiva da indústria alimentícia: coleta consciente dos ingredientes respeitando a época e o meio ambiente, uso de energia, destinação correta de resíduos, diminuição de resíduos, coleta seletiva, reaproveitamento dos insumos, etc.

Reduzir as perdas e o desperdício de alimentos é essencial, especialmente em um país onde a insegurança alimentar cresce cada vez mais. “No dia a dia, as pessoas podem promover essas ações ao apoiar a produção orgânica, escolher fornecedores locais e criar receitas que aproveitem os alimentos integralmente”, complementa a gerente da Jasmine Alimentos.

Cabe lembrar que os alimentos não influenciam apenas a saúde das pessoas, mas também a terra, a água e os ecossistemas naturais.

Ações sustentáveis

Ciente da sua responsabilidade social, a Jasmine adota diversas iniciativas sustentáveis. Dentre as principais ações, está a Estação de Tratamento de Efluentes gerados no processo produtivo. Desde 2016, a água da fábrica é tratada antes de ser devolvida ao meio ambiente, sem resíduos e descartes.

Para o reaproveitamento de insumos que iriam para descarte, a Jasmine criou uma Central de Resíduos, a qual encaminha todos os produtos gerados no processo produtivo para uma empresa terceirizada que processa um mix e cria um produto destinado à produção de alimentação animal. “Fornecemos, em média, 16 toneladas de resíduos por mês para essa produção”, explica a gerente de qualidade da Jasmine, Sandra Serena.

Alimentos em hold, termo utilizado pela indústria alimentícia que significa alimentos que estão dentro do prazo de validade, mas não podem mais ser comercializados, são doados para instituições sociais, evitando o desperdício. “Apenas em 2022, já direcionamos mais de 1.100 kg de alimentos”, cita a especialista de marketing da Jasmine, Indra Adimari. “Outro destaque interessante são nossos pães sem glútens. Os produtos são embalados preservando uma atmosfera protetora que prolonga o shelf-life, ou seja, a vida útil do alimento e evita o descarte”, complementa.

Em 2021, assinou um acordo de cooperação com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Pacto Global (ODS) para aderir ao “Grupo de Trabalho da Cadeia Produtiva da Castanha-do-Pará 2030”, visando melhorar as condições de trabalho das pessoas que fazem o cultivo e a colheita do fruto, que é utilizado por muitas indústrias brasileiras. A iniciativa tem como propósito conscientizar empresas a adotarem ações de controle e orientação dos fornecedores para melhorar as condições de trabalho dos produtores.

A empresa ainda está adotando termos de due diligence com seus fornecedores. Ou seja, antes de fechar um contrato, a Jasmine faz uma análise detalhada do histórico e da reputação do fornecedor para determinar se a empresa está alinhada com os valores da campanha. Dentre as novas parcerias, a Jasmine adquire castanhas-do-pará orgânicas da “Sou Floresta em Pé”, que realiza extrativismo sustentável e consciente com indígenas e ribeirinhos locais. A cooperativa ainda financia um projeto de reflorestamento e recuperação ambiental, produzindo e plantando milhares de mudas na floresta Amazônica.

Ainda, o melado de cana orgânico da empresa paranaense vem da Cooperativa da Terra, e o milho orgânico é oriundo da Biorgânica, ambas cooperativas que baseiam suas práticas e seus métodos de agricultura orgânica, privilegiando o equilíbrio entre o uso de recursos naturais e a preservação do meio ambiente.

A Jasmine Alimentos também conquistou o Selo Produto Orgânico Brasil que assegura que os produtos obedecem às normas e práticas de produção orgânica. Ou seja, os itens orgânicos têm rastreabilidade garantida e não possuem agrotóxicos. Os alimentos sem glúten são feitos em uma ala separada da fábrica, garantindo a segurança alimentar, e os produtos sem açúcar não têm aditivo químico ou adoçante industrializado em sua composição.

Outra iniciativa da empresa é a parceria com a eureciclo, empresa certificadora de logística reversa de embalagens pós-consumo. A parceria conecta a indústria localizada em Campina Grande do Sul (PR) com recicladores para descartar as embalagens com responsabilidade social, por meio de compensação ambiental.

A partir de 2022, a empresa irá promover a destinação de 100% das embalagens com responsabilidade social. Entre as ações previstas está a logística reversa, com rastreamento, informação exata de resíduos que estão sendo reciclados e em quais cooperativas, para que se tenha um controle ainda maior dos processos.

“Em 2021, realizamos a compensação de 22% das embalagens. Para 2022, será de 100%. Enxergamos essa iniciativa como prioridade no nosso plano de atuação deste ano, com ações cada vez mais abrangentes e efetivas de sustentabilidade”, afirma Indra Adimari.

Além disso, já todo o resíduo sólido gerado nas diversas etapas do processo produtivo da indústria de alimentos saudáveis é segregado, armazenado, transportado, destinado e monitorado – respeitando todas as normas e leis pertinentes. A busca é por uma gestão de resíduos denominada “aterro zero”.

Já os efluentes líquidos gerados são encaminhados para uma Estação de Tratamento de Efluentes Industriais, onde são devidamente tratados.

Jasmine Alimentos: histórico

A operação da Jasmine começou de forma artesanal há 30 anos, no Paraná. Christophe Allain e sua esposa, Rosa, começaram a dar os primeiros passos na empresa nos anos 1970, quando passaram a oferecer aos amigos alimentos macrobióticos, dos quais eram adeptos.

A partir daí, o casal prosperou, produzindo para si e amigos próximos produtos inovadores, como pães e granolas integrais, naturais e saudáveis. Ao longo dos anos, o pequeno negócio se transformou numa das principais marcas do setor, faturando aproximadamente R$ 180 milhões ao ano.

Desde 2014, a marca pertence ao grupo francês Nutrition et Santé e recentemente foi adquirida pela companhia M. Dias Branco, do Ceará.

Fonte: Ciclo Vivo