No Pará, pesquisadores transformam dinheiro velho em adubo orgânico

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No município de Irituia, no nordeste do Pará, um projeto da Universidade Federal Rural da Amazônia faz com que o dinheiro antigo, que seria incinerado pelo banco, fosse reutilizado. A ideia beneficia pequenos agricultores de forma ecológica.

A cidade fica a 168 km da capital paraense. Com um pouco mais de 31 mil habitantes, Irituia vive da agropecuária e da agricultura familiar. As riquezas saem da terra e o segredo é cultivar com um novo tipo de adubo orgânico, feito com dinheiro!

O agricultor Nazildo Oliveira mora na chamada “Comunidade do Maneta”, distante 20 minutos de carro da sede do município. Ele foi um dos primeiros a usar o dinheiro como adubo para plantar. “Eu me admirei, disse ‘mas como é esse dinheiro’? Eu fiquei sem saber, mas sou um cara que gosta de observar”, conta Nazildo.

A nova técnica foi desenvolvida dentro da universidade. O projeto de utilizar sobras de papel-moeda na produção de adubo orgânico tem a parceria do Banco Central.

“Cédula é celulose. Celulose se decompõe. Então vamos tentar utilizar num processo de compostagem. E assim nós começamos a fazer e depois de 7 anos encontramos um percentual de 10% da utilização de cédula na composição de composto orgânico que utilize somente o potencial da propriedade do agricultor”, afirma Carlos Costa, coordenador do projeto.

Soraia é filha de Nazildo e estudante de agronomia da Ufra, em Capitão Poço. Ela foi o principal elo de ligação entre a pesquisa e a comunidade. “Fui de casa em casa dos produtores, conversei com eles, e eu falava que a gente ia transformar aquele dinheiro em adubo. Eles ficaram um pouco assustados porque eles pensavam que era o dinheiro deles”, conta.

Atualmente, cerca de 15 produtores rurais de Irituia já fazem parte do projeto que usa dinheiro como adubo. O papel-moeda entra em uma mistura que leva ainda restos de mato, galhos e folhas. Além de frutas e outros vegetais que passaram do ponto. Tudo fica em camadas, molhadas por 75 dias. Depois disso, o material está pronto para ser utilizado na plantação.

Por mês, o Banco Central em Belém inutiliza cerca de 16 toneladas de cédulas que teriam o destino da incineração. Com o projeto de acrescentar o papel moeda no processo de compostagem, além de dar um destino mais ecológico para o material, vai ajudar a desenvolver a economia local.

Irene Vera Cruz também vive da agricultura de subsistência. Ela espera adaptar a nova técnica do adubo orgânico para diminuir os custos na produção.

 

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Fonte: G1

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