Orgânicos: Comunidades unem produtor e consumidor

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Ainda recente no Brasil, uma experiência mundial está conquistando agricultores no Distrito Federal. A Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA) é uma forma diferente de se relacionar com o público urbano.
O consumidor passa a ser um “co-agricultor”, financiando a produção e garantindo o consumo de produtos saudáveis e diversificados.
O ingrediente principal de uma CSA é a relação de confiança, transparência. O produtor rural calcula todos os custos de produção e o valor é dividido entre os participantes. Para o agricultor, além de um destino certo para a produção, é a garantia de recursos para investir na terra ao longo de um ano inteiro.
Toda semana, o aposentado Durval Rosendo Bezerra e outras 21 famílias vão buscar verduras e legumes orgânicos, fresquinhos, recém-saídos da horta. Normalmente são dez, mas em um dia desta semana havia 14 itens da estação entre abobrinha, berinjela, alho-poró, tomate e até uma plantinha pouco conhecida, que é usada como tempero, a cariru. “Eu gosto do produto daqui porque a gente come sem medo”, diz Bezerra.
O encontro entre produtor e consumidor acontece em um espaço de convivência, em Brasília. Para quem quiser conhecer de onde vem a produção, os produtores fazem o convite para que visitem a zona rural e metam a mão na massa.
Uma pessoa que aceitou o convite foi a doula Adélia Segal: “Eu tenho  dois filhos pequenos, e a gente vai e mostra para eles de onde vem e como é produzido o alimento saudável que a gente oferece. Então, fica mais fácil fazer com que eles comam frutas e verduras, porque ajudaram a produzir. Isso para mim tem um valor muito especial”.
Essa interação acontece, por exemplo, na chácara comandada pela geógrafa e também agricultora Andrea Zimmerman. Há três anos, ela decidiu transformar a horta familiar em comunitária e começou a pesquisar formas de economia solidária. No início deste ano, nasceu a comunidade que sustenta a agricultura do núcleo rural Lago Oeste, uma das três CSAs que existem em Brasília.
“Às vezes você vai para uma feira, não vende tudo, tem de voltar. Você não sabe o que fazer, o preço tá muito baixo, não cobriu seu custo. Isso não existe na CSA. Eu me comprometo a produzir com qualidade, de forma orgânica, com amor, recebo as pessoas aqui. E as pessoas se propõem a financiar o nosso custo do ano e também com funções na comunidade”, diz Andrea.
A consultora socioambiental Renata Ribeiro Navega Cruz é uma consumidora que virou co-agricultora e costuma ajudar na colheita: “A mudança é muito grande, você deixa de ser um consumidor que troca produtos por dinheiro e começa a usar o seu recurso para investir numa produção mais sustentável e em benefício tanto da terra em que está sendo produzida, quanto da família envolvida, quanto também das pessoas que estão se alimentando desse produto”.
O modelo de Comunidade que Sustenta a Agricultura começou na Alemanha em 1960. O Brasil conheceu a prática há cinco anos e hoje tem cerca de 60 CSAs espalhadas pelo país. Em Brasília, há lista de espera de co-agricultores interessados em financiar a produção. No Rio de Janeiro o Clube Orgânico é um CSA. Para criar um CSA, o agricultor precisa organizar os custos e ter uma produção agroecológica diversificada. Mas também é possível integrar uma comunidade que já existe.
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