Orgânicos crescem com busca pela qualidade de vida

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O crescimento do interesse nacional em produtos mais saudáveis estimula a expansão de nichos, como os alimentos orgânicos, veganos ou livres de glúten. Segundo a pesquisa sobre o comportamento do consumidor realizado pela APAS, em parceria com a Nielsen e a Kantar Worldpanel, os alimentos saudáveis crescem acima da média e um em cada três brasileiros (32% do total) afirmam que saúde e qualidade de vida são suas maiores preocupações.

O segmento dos orgânicos responde à tendência. Este ano, 17 produtores, responsáveis por cerca de 200 produtos, concentraram-se na segunda edição do Espaço Orgânico, cinco a mais que no ano passado. O estande conceito de 100 metros quadrados foi concebido pelo projeto Organics Brasil, com o apoio da Apex-Brasil, para apresentar o setor aos compradores internacionais convidados pela entidade e orientar os supermercadistas na melhor comercialização dos seus produtos.

A iniciativa visa também demonstrar que o segmento vai além de frutas, legumes e verduras (FLV), oferecendo produtos industrializados, além de potencial para estimular a fidelização do consumidor com criação de espaços saudáveis.

Segundo o responsável pelo projeto, Ming Liu, o setor de orgânicos fechou 2014 com faturamento em torno de R$ 2 bilhões e, este ano, deve avançar entre 25% e 30%. Ainda longe dos US$ 80 bilhões movimentados no mercado mundial, mas com nível de industrialização cada vez maior, empresas de porte no setor alimentício, a exemplo de Agropalma, Native e Jasmine, e outro tanto no setor cosmético, como Surya Brasil e Beraca, um dos maiores fornecedores de ingredientes e insumos orgânicos do mundo.

Liu explica que a melhor aposta do segmento de produtos orgânicos é na educação do consumidor. Durante a Feira APAS, uma das preocupações foi orientar a exposição dos produtos. “A tendência do mercado mundial é colocar os orgânicos lado a lado com os convencionais. No Brasil, nossa sugestão para o varejo de pequeno porte é segregá-los, para orientar o cliente”, afirma Ming Liu. Atualmente, a estimativa é que o segmento represente cerca de 2% do segmento alimentício nacional e entre 2% e 3% do faturamento das redes varejistas, com uma penetração em torno de 80% dos supermercados brasileiros.

A Renks é uma das empresas que participaram do projeto pela segunda vez. A fabricante paulista de produtos como snacks e suplementos alimentícios trocou no ano passado o papel de fornecedora de grandes marcas, como Nutrilatina, pela marca própria Bio2. Já a Itajá, da usinas Jalles Machado, de Goianésia (GO), aproveitou a oportunidade para apoiar a introdução do açúcar orgânico no país.

O produto foi lançado por aqui no ano passado, depois de 12 anos de direcionamento exclusivo a exportações, 90% das quais direcionadas à produção de indústrias como Coca-Cola e Kellog’s nos mercados europeu e americano. Hoje, a linha orgânica responde por 10% da produção total de açúcar da marca, que no ano passado alcançou 300 mil toneladas. “Este ano a participação será maior”, adianta o gerente comercial Lucas Galdioli. Segundo ele, a produção orgânica deve chegar a 50 mil toneladas.

Outras novidades se espalhavam pelo evento. A Superbom, especialista em produtos vegetarianos que vão de sucos a proteínas pré-cozidas e queijos vegano, oferece o mel orgânico e trouxe para o país a linha de patês vegetarianos orgânicos Gourmet, produzidos por uma empresa espanhola do mesmo grupo da Igreja Adventista. O laticínio Vitalatte, de Valença (RJ), especializado em queijos frescos italianos, conta com produção de queijo frescal orgânico, mas hoje limita a entrega à rede carioca Zona Sul – dos 30 mil litros de leite processados diariamente, apenas 500 são certificados e destinados ao segmento.

A Korin avança na cadeia saudável e oferece de ovos a sopas instantâneas orgânicas certificadas – uma delas vegana – além de café, açúcar, óleo de soja, arroz, feijão e seu tradicional frango. Outra novidade é a linha de vegetais com solo preparado organicamente, sem adubação animal. A distribuidora All Alimentos aposta nos produtos livres de glúten das italianas Santivieri e Le Veneziane. Outra que entrou no segmento é a Vapza, especialista em alimentos longa vida. A linha inclui produtos como frango desfiado e feijão e, segundo o vice-presidente Enrico Milani, é estratégica para o atendimento do setor supermercadista, que responde por quase metade do faturamento da empresa.

 

Fonte: Valor Econômico – Empresas

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