Orgânicos: Especialista explica benefícios

Orgânicos: Especialista da Uniara explica benefícios deste tipo de alimento

João Galbiatti

Saúde e sustentabilidade: é o que as pessoas buscam quando compram os alimentos orgânicos, produzidos com técnicas que visam a garantir a qualidade e, ao mesmo tempo, a preservação do meio ambiente. No Brasil existem cerca de 90 mil produtores autodeclarados “orgânicos”, de acordo com o levantamento realizado em 2009 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Frutas, legumes, verduras, carnes, ovos e açúcar são os itens mais comercializados no país. Entretanto, muitos desses produtores não são certificados e vendem os produtos sem seguir os padrões técnicos da produção orgânica.
De acordo com João Galbiatti, coordenador do curso de Engenharia Agronômica do Centro Universitário de Araraquara – Uniara, os alimentos orgânicos são definidos pela ausência da utilização de agrotóxicos e de qualquer outro tipo de substância que possa causar algum dano à saúde, como hormônios e outros produtos químicos.

Ele explica também que este tipo de produção “tem como base o uso de estercos animais, rotação de culturas, adubação verde, compostagem e controle biológico de pragas e doenças, sem alterar a qualidade física, química e biológica do solo, por meio do uso de produtos sintéticos”.
Segundo Galbiatti, os alimentos orgânicos oferecem algumas vantagens: são mais saudáveis e saborosos, além disso, sua produção preserva o meio ambiente, evitando a contaminação do solo, água e vegetação, utilizando sistemas de responsabilidade social, principalmente na valorização da mão de obra.

“A única desvantagem é que são mais caros do que os convencionais, pois são produzidos em menor escala e com custos maiores, já que a transição do sistema de produção convencional para o orgânico faz com que os preços sejam elevados em relação aos demais, e seu ciclo rende 25 % menos do que o tradicional, apresentando uma demora maior no processo de amadurecimento dos produtos”, afirma o coordenador.
Ele ressalta que, nas lavouras orgânicas, o agricultor lança mão de substâncias à base de plantas medicinais e compostos naturais para a adubação do solo. Já na criação de animais, os insumos têm que respeitar a terapia branda, com a aplicação de homeopáticos ou produtos fitoterápicos.

“Os insumos utilizados para o cultivo de orgânicos apresentam preços mais baixos, mas há necessidade de uma maior quantidade de mão de obra em comparação ao sistema convencional. A certificação é outro fator de encarecimento destes alimentos, já que existe um processo de rastreamento e controle acerca do modo de produção. A demanda por alimentos orgânicos também têm sido maior que a oferta, o que ocasiona um aumento dos preços dos produtos. Mas, para o consumidor, os benefícios à saúde compensam os preços elevados”, ressalta o professor.

Mercado em expansão
Galbiatti afirma que o mercado de alimentos orgânicos está em franca expansão, tanto no Brasil como no mundo. “A tendência é aumentar a produção em função das restrições, cada vez maiores, ao uso de agrotóxicos e à política incentivadora de reaproveitamento ou reciclagem de fertilizantes orgânicos”, diz.

De acordo com ele, a estimativa em âmbito internacional é de um aumento de 30% a 50% ao ano. “Os países da Oceania são líderes na produção de orgânicos, com 12,1 mil hectares voltados para o setor. Já a América Latina é o terceiro continente em produção, atrás também da Europa, com 6,4 mil hectares. Entre os países com maior área de plantação orgânica, o Brasil ficou em terceiro lugar, atrás da Austrália e da Argentina, segundo levantamento de 2006 do IBGE. Os principais produtos vendidos para o exterior são açúcar, frutas, soja, café, cacau e carne”, finaliza o professor.

Fonte:. Uniara

Share your thoughts