Produção orgânica incentiva ganhos de qualidade e renda

Apesar de a produção paraense de cacau ter crescido muito nos últimos anos, os problemas logísticos e a falta de unidades de processamento da amêndoa e industrialização de chocolate fazem com que o Estado tenha dificuldades de agregar valor ao produto. Entretanto, algumas iniciativas têm surgido para garantir maior qualidade, rentabilidade e sustentabilidade à cacauicultura, como o Programa de Produção Orgânica Transamazônica Xingu.

Portal do Agronegócio
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O programa começou a ser desenvolvido em 2005 e tem apoio e parceria da Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP), da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), e da GIZ, organização do governo alemão que tem parcerias com o governo brasileiro. As primeiras cooperativas participantes do projeto começaram a ser registradas em 2007. Hoje são seis, conforme Jedielcio de Jesus Oliveira, coordenador geral do programa.

Essas cooperativas representam uma produção de cacau distribuída em um raio de 400 quilômetros em torno de Altamira, nas cidades de Medicilândia, Uruará, Brasil Novo, Vitória do Xingu, Anapu e Pacajá.

O intuito inicial do programa era melhorar a qualidade do cacau. Hoje, as seis cooperativas produzem cerca de 800 toneladas de cacau orgânico por ano, mas apenas 25% da produção é comercializada coletivamente ou diretamente por meio do programa. O restante é vendido pelos produtores para intermediários.

As seis cooperativas são certificadas pelo IMO Control Brasil (Instituto de Mercado Ecológico). Destas, duas têm também o selo Fair For Life, para o comércio justo. São 96 propriedades certificadas, com 105 sócios produtores, em 1.100 hectares. O tamanho das propriedades varia de três a 110 hectares.

Além de não usar insumos químicos na adubação e no controle de doenças, o cacau orgânico precisa passar por alguns procedimentos para atingir um determinado padrão de qualidade. Entre eles está a secagem natural, feita em barcaças ou estufas. Há ainda a fermentação, que ocorre de cinco a oito dias e é um dos principais procedimentos para garantir aromas ao produto.

Os esforços dos envolvidos no programa vêm trazendo resultados, como a exportação da amêndoa para uma empresa austríaca de chocolates, a Zotter, e a venda do produto para companhias como Natura e Indústria Brasileira do Cacau (IBC). Um novo contrato com a Harald está em negociação. Todo ano, as cooperativas exportam para a Zotter de um a dois contêineres (23,1 toneladas cada) do produto. Segundo Oliveira, o preço pago pela empresa às cooperativas chega a u20ac 3.520 por tonelada (u20ac 3,52 o quilo), ante R$ 4 a R$ 5 o quilo da amêndoa tradicional.

Conforme Oliveira, a produção orgânica e de qualidade em cooperativas é um grande desafio. “Começamos do zero, sem crédito nem capital de giro”. Nem todas as cooperativas têm estrutura física. Desde 2010, um centro de referência em Altamira gerencia e armazena o produto. O plano é até dezembro formar a Central das Cooperativas de Produção Orgânica da Transamazônica Xingu (Cepotx), e ampliar o número de sócios.

Fonte: Portal do Agronegócio

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