Produtos orgânicos: preço mais alto em prol da saúde

 6821334552_1b1a57026b_z Nada de agrotóxicos, hormônios, drogas veterinárias, adubos químicos, antibióticos ou transgênicos em qualquer fase da produção, armazenamento e beneficiamento de frutas, verduras, legumes e hortaliças. Para quem deseja se alimentar da forma mais saudável possível, o mercado de produtos orgânicos do Distrito Federal está em franco crescimento – o país registra aumento de 20% na produção anualmente. Os preços são mais altos, mas produtores, especialistas e consumidores garantem: pela saúde, vale a pena.

 No DF, há 121 agricultores orgânicos cadastrados no Cadastro Nacional do Ministério da Agricultura e muitos atuam nas 22 feiras urbanas da capital. Em 2012, as 18 feiras, então identificadas pelo levantamento do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), colocavam Brasília no segundo lugar entre as capitais. Mas é possível encontrar os produtos também em supermercados, empórios e restaurantes, por exemplo.

  O fiscal federal agropecuário da superintendência do Ministério da Agricultura no Distrito Federal, Claudimir Roberto Sanches, afirma que houve grande crescimento do mercado nos últimos anos e a projeção é ainda maior. “Talvez pudesse crescer mais com valores um pouco mais baixos, mas não chega a atrapalhar”, explica sobre o custo mais alto dos produtos orgânicos.

Mais caros

 Segundo os próprios produtores e vendedores, os alimentos orgânicos chegam ser até 30% mais caros em relação aos demais produtos. Uma pesquisa do Idec mostrou que em supermercados a diferença pode chegar a 463%, em relação aos mesmos itens nas feiras.

 Essa variação pode interferir diretamente no consumo. Em uma enquete realizada em 2012, o instituto constatou que 74% das população consumiria mais alimentos orgânicos se fossem mais baratos.

Saiba mais

 O Plano Safra da Agricultura Familiar 2014/2015 prevê ações de incentivo à produção orgânica e uma linha de crédito com juros mais baixos do que a inflação.

 O crédito é disponibilizado por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), para custear sistemas de produção agroecológica e orgânica no valor de até R$ 150 mil.

 Para ter acesso, o produtor precisa ter em mãos a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), que identifica o agricultor familiar. O Idec disponibiliza, em seu site, um mapa de feiras orgânicas. Para conferir, acesse www.idec.org.br/feirasorganicas.

Demanda e oferta estão no mesmo ritmo

 A diferença dos preços pode ser vista nas próprias bancas de orgânicos. Por ali, é possível encontrar produtos com até o dobro do preço. Para o presidente do Sindicato dos Produtores Orgânicos (Sindiorgânicos), Moacir Pereira Lima, o consumidor tem procurado cada vez mais pelos orgânicos. “Em todos os supermercados e lojas há uma área oferecendo orgânicos e isso só acontece porque há uma demanda muito grande da população”, entende.

 Pesquisas indicam que as pessoas não se importam em pagar um pouco mais e, visando isso, há uma proliferação de produtores e feiras ilegais. Isso é perigoso e fere o direito do consumidor”, alerta Moacir, que enfatiza: “Não basta ser orgânico, tem de respeitar a legislação e ser certificado”.

 Certificado

 Desde janeiro de 2011, todo produto orgânico vendido em lojas e mercados tem que apresentar o selo SisOrg em seu rótulo. É assim que o consumidor tem a certeza de que o produto é legal. Os agricultores familiares são os únicos que podem vender sem certificação, mas devem integrar  alguma organização de controle social cadastrada nos órgãos fiscalizadores.

Opções cada vez mais perto do consumidor

 De acordo com o produtor e multiplicador da ideia, Idalércio Dirceu Barbetta, 42,  “hoje, nenhum adepto de consumo orgânico precisa sair da quadra, principalmente na Asa Sul. Essa é a particularidade do mercado de Brasília”. Ele, que trabalha há 17 anos na área, percebe que as pessoas estão mais conscientes da importância de se alimentar bem. “Há mais conhecimento e muitos sabem que gastando um pouco mais com alimento, podem gastar menos com remédios no futuro”, afirma.

 Segundo ele, os locais com maior número de espaços de venda são as Asas Sul e Norte e os Lagos Sul e Norte, “mas ainda está crescendo. Em Taguatinga está começando a florescer alguma coisa, mas em relação ao número de habitantes é insignificante comparado ao Plano Piloto. Em Águas Claras, já há a tentativa e em Sobradinho também”.

 Quando chegou à Brasília, vindo do Sul do País, Idalércio bateu de porta em porta na tentativa de vender seus produtos. “Minha a ascensão no mercado foi o casamento com o restaurante da família, que é um grande propagador dos orgânicos”, lembra.

A feira, que fica nos fundos do restaurante na 409 Norte, começou com o excedente da produção direcionada ao estabelecimento, “mas foi crescendo e hoje representa mais de 50% do que eu vendo”. Ele ainda possui oito bancas na Central de Abastecimento (Ceasa). “Continuamos multiplicando a ideia e os clientes”, brinca.

Família

 Mas sua atuação não se restringe à produção e a venda dos alimentos. Idalércio conta que quase toda a sua família migrou para trabalhar no ramo e que participa da formação de novos produtores. Com convênio em escolas agrotécnicas, já recebeu cerca de 50 estagiários e  divide o campo com alguns deles.

Números

 Um terço dos alimentos consumidos pelos brasileiros está contaminado por agrotóxicos, mostrou o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Das amostras, 63% estavam contaminadas e 28% tinham ingredientes não autorizados.

“Tem todo um cuidado com a produção”

 Para o produtor João Batista, 37, as plantações são como crianças. “Tem todo um cuidado com a produção, é preciso estar perto”, conta. Há 15 anos trabalhando com a terra, ele atua em assentamento e ganha uma bolsa do Governo Federal. A barraca de João fica na 505 Norte, na divisão entre as áreas comercial e residencial. Pela contagem dele, 60% do s clientes são frequentes. “Não tenho que competir com nenhum outro orgânico por aqui e isso é uma vantagem”, pondera. Mas, mesmo com mercados oferecendo o mesmo tipo de produto, ele garante que consegue equilibrar os valores.

 A secretária Luciene Feitosa, 39, aproveita a proximidade com o trabalho para garantir a compra dos alimentos, mas também os encontra no Gama, onde mora. “Os orgânicos sempre estão em primeiro lugar. Se tenho condições, compro tudo o que tiver de orgânico, mas gosto de feiras porque me parecem de melhor qualidade. Apesar de sentir no bolso, sinto a saúde melhor”, afirma.Há mais de dez anos, a aposentada Francisca Maria, 60, mudou sua alimentação. Em 2001, teve um problema de saúde e o médico recomendou que consumisse apenas produtos orgânicos.

Cultivo

 Para ser considerado orgânico, o produto deve ser cultivado em um ambiente que considere sustentabilidade social, ambiental e econômica e valorize a cultura das comunidades rurais. É necessário seguir uma produção que não use nenhum insumo químico ou agrotóxico. Os sistemas de produção de orgânicos devem se preocupar com o uso saudável e responsável de todos os recursos naturais.

 Do ponto de vista nutricional, a  doutora em Ciências da Saúde, Raquel Botelho, diz não ser possível afirmar que um produto orgânico é mais saudável, mas no sentido tóxico, não ter pesticida ou herbicida é muito importante. “Temos receio dessas substâncias, já que grandes cargas podem prejudicar à saúde. É possível escolher os que têm mais agrotóxico e comprar orgânicos, como tomate e morango”, diz.

 

 

Fonte: Jornal de Brasília

 

 

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