Tá na época

Leia as lembranças da nossa chef Michele Maia do Vegê Gourmê brincando entre as arvores carregadas de frutas.

“Quando eu era pequena, morava no interior e passava grande parte do
meu precioso tempo de criança na casa da minha avó paterna. Era um quintal enorme, com mangueira, jaboticabeira, goiabeira, bananeira e jambeiro. O pé de jambo era nosso preferido, talvez por sua raridade, mas com certeza também pelo maravilhoso e suculento fruto. Quando o chão pintava-se de rosa por causa de suas flores, já sabíamos que estava chegando a época do jambo.”

“A sazonalidade não era uma coisa ensinada ou que merecesse explicação. Era simplesmente vivida e aguardada com alegria. Não ficávamos tristes por não termos manga o ano todo e sim ficávamos felizes quando sua época chegava.”

“Fartávamos-nos tanto da fruta que quando ela acabava já era hora mesmo de dar um descanso. O único pé era suficiente para abastecer três casas, dar para os amigos e ainda fazer guerrinha de manga podre que caía no chão. Meu pai não gostava que eu subisse no pé, com toda razão, pois era de uma altura enorme.”

“Mas como resistir? Era a brincadeira mais legal do mundo! Não tinha vídeo
game, boneca que fala, mini laptop ou qualquer coisa mais interessante do que escalar aqueles galhos e brincar de casinha lá em cima. Quantas vezes brincamos de fazer comidinha com folhas, gravetos e terra molhada. Acho que minha paixão pela cozinha nasceu daí.”

“Quando cresci e casei, mudei para a cidade grande, onde as frutas e
legumes parecem nascer na prateleira do supermercado. Perdi totalmente a noção da sazonalidade e da época dos alimentos, a não ser quando a oferta está abundante e o preço abaixa. Mesmo assim desconfio. Então, procuro na prateleira dos orgânicos, se tem é porque está na época. Compro feliz, tranqüila e quase posso sentir o gosto do quintal da vovó.”

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