Umbu, umbuzeiro, “árvore sagrada do sertão”

Umbu, fruta
Umbu é fruta nativa da caatinga nordestina — Foto: Divulgação/Coopercuc

Por Sylvia Wachsner, OrganicsNet, coordenadora

Teu nome “ymbu”, de origem tupi-guarani, ou “árvore sagrada do sertão”, como te chamou Euclides da Cunha em “Os Sertões”. Árvore centenária, com tuas folhas que desaparecem nos períodos de seca, mas que voltam a renascer ao cair das primeiras chuvas.

Marcas o tempo. O perfume que emanas de tuas flores brancas é o néctar que delicia as abelhas. Tuas raízes armazenam água nos longos períodos de seca. Tua copa, um triângulo arredondado, é albergue de sol e chuva do sertanejo. Assim sobrevives, ano após ano, adaptada ao sertão.

Umbu-cajá, cajarana, seriguela, umbuguela que carregas o umbu, ymbu, adaptado à flora sertaneja. Teus frutos do gênero Spondias, de inconfundível sabor agridoce, são coletados da natureza pelo vaqueiro, extrativista, agricultor familiar, agroecológico, que os transforma em geleias, doces, sorvetes, compotas e sucos.

Tua cultura de fácil manejo agrícola é o sustento de muitas famílias sertanejas. Ymbu, árvore que dá de beber, és o símbolo da Bahia. Tua figura de seis metros de altura é visível na Caatinga brasileira. Sobrevives muitas vezes rodeada de mulheres, que uma vez por ano colhem tuas “cerejas”, com peso médio em torno de 18 gramas ou grandes como melões.

Adaptada aos longos períodos de seca do semiárido, alimentas as famílias, fortaleces a economia solidária, o cooperativismo, mantendo muitos jovens que trabalham no processamento.

As polpas de tuas frutas, cujo pico de safra dura de janeiro a março, são processadas na época da colheita e podem ser armazenadas para consumo ao longo do ano. Tuas folhas e tua fruta alimentam, também, os animais que acompanham o sertanejo.

Tua fruta é transformada em cerveja artesanal, no município do Uauá, na Bahia, pela cooperativa Coopercuc. A Gravetero é 100% umbu, seduz os provadores “e não se consegue beber mais outra”, ponderam os catadores.

Polpas, doces, geleias, com seus típicos sabores regionais, são exemplos de como o umbu está sendo introduzido na gastronomia brasileira.

Criada em 2004, a Coopercuc, formada por quase 300 cooperados, em sua maioria mulheres, exporta sua produção ecologicamente correta, orgânica, economicamente justa e viável, e te leva, o ymbu, árvore sagrada do sertão, até as Europas, mas também te apresenta na merenda escolar dos filhos da Caatinga.

Referências sobre o umbu:

https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/10455565/umbu-e-outras-frutas-nativas-sao-boas-opcoes-para-agricultura-familiar

Referencias sobre a Coopercuc:

https://coopercuc.com.br